segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Mais estressadas e infelizes do que nunca



Em uma de suas últimas crônicas no Estadão, Nelson Motta chamava atenção para o fato de que que as mulheres hoje estão se sentindo muito mais infelizes do que antigamente. Nelsinho cita a existência de várias pesquisas que provam este fato e um artigo sobre o tema de uma pós-feminista recém-publicado no New York Times.

Segundo ele, a liberdade e a independência conquistadas a tanto custo não trouxeram para as mulheres a tão sonhada felicidade. Já com os homens, teria acontecido justamente o contrário. Eles nunca estiveram tão felizes. Que ironia a do destino, a revolução feminista teria beneficiado muito mais a eles que a nós. Brincadeira de mau gosto esta, em?
“Cinco pesquisas mundiais diferentes revelaram os mesmos e tenebrosos resultados: independentemente de classe social, estado civil, de ter filhos ou não, em todos os lugares, as mulheres estão se sentindo cada vez menos felizes. E os homens, mais”, declarou Nelson Motta no tal artigo.
Os motivos seriam, basicamente, a ditadura da beleza a qualquer custo, a eterna divisão filhos-casa-trabalho e, mais recentemente, o jugo da competência profissional, do sucesso na carreira. Hoje em dia, algumas mulheres já admitem até que seus filhos, símbolo máximo da felicidade e da realização feminina, não têm lá contribuído tanto para sua felicidade, como se imaginava. Muitas vezes, inclusive, eles têm sido mais uma fonte de preocupação, ansiedade e angústia do que propriamente de alegrias.
Já os homens estariam se beneficiando - e muito - com a maior participação de suas mulheres no orçamento familiar. Graças ao trabalho de suas mulheres, eles estão mais folgados e, com isso, mais prósperos, o que por si só já contribui para a felicidade de qualquer mortal. Em contrapartida, por mais que tenham passado a “ajudar” a cuidar dos filhos e da casa, raramente esta “colaboração” se dá no nível esperado.
E mais: para conseguir competir no exigente mundo corporativo, as mulheres acabam se exigindo demais e tornando-se ainda mais estressadas. Ou seja, passamos a trabalhar tanto, a fazer tanto que, segundo o grande Nelson Motta - e eu assino embaixo - temos cada vez menos tempo para exercer nossa especialidade, que é sentir.
Agora, por favor, me expliquem, o que ganhamos com isso? Por outro lado, não há o que fazer. o processo não tem volta. Só podemos andar para a frente.

6 comentários:

Ana Borges disse...

Pois é Dalvinha, ñ sei se vc. lembra, mas ñ é de hoje q. venho me maldizendo dessas tais
"conquistas".
Qdo. li esse artigo do Nelson Motta (no Globo mesmo), pensei logo...em mim.
Está fora de questão renegar a independência financeira e a conquista no campo profissional, pois detesto lavar panelas e arrumar camas. Aliás, vc. sabe da minha relação c/panelas, né mesmo? Pra q. elas servem de vez em qdo....
Mas q. a vida doméstica (p/nós) ñ mudou porra nenhuma, ñ mudou.
Já cansei de discursar: esquecemos de COMBINAR com os homens q. eles iam passar a dividir conosco as tarefas domésticas e o cuidado c/os filhos.
E mesmo q.combinássemos, eles ñ iam topar. Ou talvez até topassem. Mas daí a cumprir, são outros 500.
E sabe o q. é pior?
A gente, digo, a mulherada, no fim das contas, ia concluir q. só nós mesmo damos conta de cumprir esse papel: o de mãe e dona de casa.
Conclusão: tamos fu!!!!!!
Bj.

Liliana Sarquis disse...

Na prática não posso opinar muito sobre o assunto, não é? Mas acho que se a mulher fosse menos boba com os homens a coisa mudava. Primeiro criando filhos e filhas sem diferença. Se a filha ajuda a mãe na casa por que os meninos dificilmente tem tarefas além daquele "arrume seu quarto"? Por que a mulher tem que, por exemplo, lavarf a roupa do marido? Por que não acostuma desde os primeiros dias de casamento o cara a se virar? Por que ela acaba lavando, passando etc? Por que não faz só o dela? Sem dramas. Vai lá lava a roupa dela e ponto. Aí vão dizer: ah, não funciona assim...ele não sabe...E no exército, o cara não faz tudo? Não se vira? É muito fácil o cara dizer que não sabe, não leva jeito e a mulher ir lá e fazer. Acho que a grande culpada é a mulher. O cara está na dele. Joga o papo, se colar colou. e como sempre cola...

AB disse...

É isso mesmo Lili, a culpa é da gente mesmo.
Se botássemos os meninos pra passar aspirador e levar suas próprias cuecas, a gente ñ tava aí aguentando marido folgado, dizendo, (assim mesmo!), ñ sei fazer isso e aquilo e aí a gente pra ñ se estressar mais ainda, acaba fazendo tudo.
Eita nós, mulherada burra!
Ah, leia a crônica da nossa querida Lurdes sobre os 2 anos de Valentina na última coluna dela. Ainda está no site de AVS.
Bjs.

Liliana Sarquis disse...

Ana,Sou assinante do jornal. Já li. Vou mandar um e-mail para ela.

Maia disse...

Dalvinha, a mulherada reclama de qualquer coisa. Mas é assim que é bom, prá gente poder consolar e fazer uns carinhos.

Liana disse...

Meu coração é secular...
Zelia Duncan no Malaveia às 20:23!