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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ó dia, ó céu, ó vida, ó azar



Ando num mau humor que dói. Rabugenta, reclamona, um saco, nem eu estou me aguentando. Tudo me irrita. Estou insuportável. O motivo? Vai lá saber. Não sei como é com você, mas eu não preciso de motivo para ficar azeda. Às vezes dá até para ter uma noção do que desencadeou o processo – geralmente coisa pequena e contornável – mas nem sempre.

Tem dias que a gente simplesmente acorda se sentindo assim.

Sim, eu sei perfeitamente. Conviver com uma pessoa mau humorada é difícil e muito, muito desagradável. Parente direto da depressão, o mau humor faz com que a gente só enxergue o lado negativo das coisas e, de uma certa forma, podemos dizer que é contagioso. Também reconheço, humildemente, que nós, mulheres, somos bem difíceis de entender, sujeitas a mudanças bruscas de humor e a acessos de mau humor aparentemente sem motivo.
Mas, vamos combinar. Nossas rotinas diárias e o volume de trabalho, afazeres, compromissos e preocupações a que somos submetidas têm mais é que nos tirar mesmo o bom humor. Pelo menos de vez em quando. Quase todos os dias somos obrigadas a lidar com situações extremamente estressantes, a ponto de não conseguirmos nos desligar para um merecido descanso.
Vivemos equilibrando pratos, somos o fiel da balança da família. Isso cansa.
Então, diante de toda esta carga, não tem jeito. Tem dias que fica mesmo muito difícil manter o alto astral, dar a volta por cima e retomar o necessário bom humor para seguir em frente.




segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Mais estressadas e infelizes do que nunca



Em uma de suas últimas crônicas no Estadão, Nelson Motta chamava atenção para o fato de que que as mulheres hoje estão se sentindo muito mais infelizes do que antigamente. Nelsinho cita a existência de várias pesquisas que provam este fato e um artigo sobre o tema de uma pós-feminista recém-publicado no New York Times.

Segundo ele, a liberdade e a independência conquistadas a tanto custo não trouxeram para as mulheres a tão sonhada felicidade. Já com os homens, teria acontecido justamente o contrário. Eles nunca estiveram tão felizes. Que ironia a do destino, a revolução feminista teria beneficiado muito mais a eles que a nós. Brincadeira de mau gosto esta, em?
“Cinco pesquisas mundiais diferentes revelaram os mesmos e tenebrosos resultados: independentemente de classe social, estado civil, de ter filhos ou não, em todos os lugares, as mulheres estão se sentindo cada vez menos felizes. E os homens, mais”, declarou Nelson Motta no tal artigo.
Os motivos seriam, basicamente, a ditadura da beleza a qualquer custo, a eterna divisão filhos-casa-trabalho e, mais recentemente, o jugo da competência profissional, do sucesso na carreira. Hoje em dia, algumas mulheres já admitem até que seus filhos, símbolo máximo da felicidade e da realização feminina, não têm lá contribuído tanto para sua felicidade, como se imaginava. Muitas vezes, inclusive, eles têm sido mais uma fonte de preocupação, ansiedade e angústia do que propriamente de alegrias.
Já os homens estariam se beneficiando - e muito - com a maior participação de suas mulheres no orçamento familiar. Graças ao trabalho de suas mulheres, eles estão mais folgados e, com isso, mais prósperos, o que por si só já contribui para a felicidade de qualquer mortal. Em contrapartida, por mais que tenham passado a “ajudar” a cuidar dos filhos e da casa, raramente esta “colaboração” se dá no nível esperado.
E mais: para conseguir competir no exigente mundo corporativo, as mulheres acabam se exigindo demais e tornando-se ainda mais estressadas. Ou seja, passamos a trabalhar tanto, a fazer tanto que, segundo o grande Nelson Motta - e eu assino embaixo - temos cada vez menos tempo para exercer nossa especialidade, que é sentir.
Agora, por favor, me expliquem, o que ganhamos com isso? Por outro lado, não há o que fazer. o processo não tem volta. Só podemos andar para a frente.