terça-feira, 23 de junho de 2009

Da arte de ser vizinho

Estava começando a escrever este post quando Suri, minha afilhada canina, subiu na minha cama e veio me dar bom dia. Suri (foto)é uma bela shitsu, filha de minha vizinha de porta, Selma, com quem estabeleci uma relação de grande e intensa amizade. Vem sendo sempre assim na minha vida. Meus vizinhos, de uma maneira geral, são do tipo que um tem a chave da casa do outro, a quem posso recorrer quando o pó de café acaba ou esqueço de comprar cebolas e vice-versa. E não apenas isso. Até pela proximidade, meus vizinhos são os primeiros a saber das novidades, sejam elas boas ou ruins e os primeiros a me incentivar, a me apoiar. Claro que estou falando destes vizinhos maravilha, que tive a sorte de ter.
Lembro, com saudade, de tantos vizinhos queridos que já tive. O Carlinhos do Pandeiro (por onde andará?), quando eu e Wambier, ainda sem filhos, morávamos ali no finalzinho da Alberto de Campos, um lugar que pela proximidade do Cantagalo, tornou-se desvalorizadíssimo, apesar de ficar ali do lado da Farme de Amoedo. O Guerra, este fofo do Popmusik&rockandroll, que reencontrei aqui na blogosfera e com quem venho tento diálogos incríveis. Nós praticamente partilhávamos a mesma cobertura na Lagoa, bem em cima do bar do mesmo nome (que, aliás, permanece intocável, como se parado no tempo, com seus garçons mal humorados, seu chopp inigualável, seu salsichão delicioso), de tão chegados que éramos. Que bom que é assim. Porque vizinho é alguém que muitas vezes está mais perto da gente do que nossa própria família. Infelizmente, é muito mais comum que vizinhos se odeiem ou, na melhor das hipóteses, se suportem. O que é uma pena.
Na minha opinião, é preciso saber cultivar e manter uma boa vizinhança. Pode ter um pouco de sorte envolvida, mas trata-se, antes de tudo, de uma arte. Que passa, em primeiro lugar, pelo respeito à privacidade do outro. Não tem coisa pior que vizinho invasor, espaçoso, sem noção. Aquela velha máxima de "a minha liberdade termina onde começa a sua" tem que ser respeitada até os últimos limites. Meus vizinhos-amigos são assim. Que bom. Vizinho também tem que ser solidário, amigo, tem que gostar um do outro. Senão, nada feito. Aí é melhor ficar no "bom dia", "boa tarde", "boa noite"...

4 comentários:

Liana disse...

é mesmo,né,Dalvinha? Aquele ap era um point...sempre cheio de amigos e estes com atividades tão variadas...era sempre uma festa lá e me lembrava a fase da infância em que meus pais ainda eram um casal.Lembrei das vezes em que saí do banco onde eu trabalhava para ficar com Helena para que vocês pudessem ir a um cinema e depois tomar um chopp ali mesmo no Bar Lagoa...também lembrei do seu primeiro chá de bebê, como foi diferente de todos os que eu conhecia! A Dalvinha de sempre: vanguarda mas com um pé fincado na tradição...rs

Luiz Sergio Nacinovic disse...

Mulher Cruel!!!!!(Gostou?)
Já tinha lido sim. Porisso que te mandei as fotos do meu filhote querido, que está com quatro anos agora( fez no dia 14 de maio)e que me faz sentir um pouco mais feliz, porque, além de carinhoso, ele adora a baixinha e, com seu afeto sem troca e interesse, a faz esquecer um pouco a agonia e a depressão que a esclerose múltipla
lhe causam, já que ela foi aposentada por invalidez e, aos poucos, vai sentindo na carne(literalmente falando) o estrago da doença.
O Bonitinho é completamente devotado a ela e não a larga nem um minuto que seja. Ele fica ao lado dela onde ela for e onde quer que ela esteja.

Julia disse...

Falou tudo!! É so cada um se manter no seu quadrado que a convivencia só faz bem!

Selma disse...

Dalva querida,
Você resumiu de maneira perfeita essa “Arte” que temos a alegria de dividir.