domingo, 24 de janeiro de 2010

Contagem regressiva



Falta exatamente uma semana para o casamento de minha filha Helena. Ai, que nervoso.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Marcelo Nacinovic, o arquiteto-fotógrafo das mil cores


Outro dia o Guerra fez um post sobre o irmão dele, que é arquiteto e fotógrafo “dos bons”, como ele diz. Gente, o tal do Marcelo Nacinovic é uma fera. Tem cada foto genial. Acho interessante como os fotógrafos (estou falando de fotógrafos mesmo, dotados não apenas de técnica, mas de sensibilidade artística, não de meros registradores de imagens), mas, enfim, como eles conseguem imprimir um toque único, particular a uma mesma praia, a uma mesma igreja, a um mesmo local. Hoje em dia, com uma digital qualquer, qualquer um fotografa, mas tem que ser um artista para conseguir captar cenas como estas. Quem quiser ver mais é só entrar no Flickr dele.
Não conhecia o Marcelo, mas fiquei impressionada com sua capacidade de enxergar e registrar ângulos e tonalidades que eu jamais perceberia (como nesta foto de ar condicionados tirada em Copacabana). Ele vai mostrar seu novo trabalho - “Um olhar sobre a arquitetura brasileira” – a partir do dia 27, num café do centro do Rio (vejam no cartaz) e, em fevereiro, participa da coletiva “Fotografi brasiliani”, na Itália.



"O show já terminou". Theatro José de Alencar (Fortaleza)



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O caso do ar condicionado sem motor


Eu não deveria estar ocupando o precioso espaço do meu blog e enchendo o saco de vocês para falar de problemas pessoais. Mas como o problema que me aflige envolve direitos do consumidor e já estou subindo pelas paredes de tanta raiva da Brastemp e do Magazine Luiza, peço desculpas a meus leitores para um desabafo. Não se preocupem, não vou relatar os detalhes do caso, que se arrasta desde o início de dezembro sem que nenhuma das duas empresas tome uma providência.
O fato é que comprei um ar condicionado split (algo que até pouco tempo, nós, friburguenses, não precisávamos ter) e o aparelho veio sem o motor, dá para acreditar? Claro que o problema só foi constatado depois que os técnicos quebraram a parede e ele já estava lá instaladinho, mas não funcionava.
Dali para frente foram mais de 50 telefonemas, muitas horas perdidas ouvindo musiquinhas de teleatendimento, repetindo a mesma história para dezenas de atendentes, ouvindo informações completamente contraditórias, enfim, toda aquela lengalenga de que nós, pobres consumidores brasileiros, somos vítimas. E que não deram, rigorosamente, em nada.

Enquanto isso, cá estamos nós a torrar neste verão, mesmo aqui na serra. Só que isso não vai ficar assim não. Já estou detonando as duas empresas pela rede e, para tanto, me vali do site Reclame Aqui, do twitter, Orkut, Facebook, enfim, de todas as redes sociais, além das colunas de defesa do consumidor dos jornais. E preparo u m dossiê para entrar com uma ação na justiça contra a Brastemp e o Magazine Luiza, não vou é deixar barato.

Em tempo: nós somos desrespeitados demais neste país. Neste momento, acabo de receber uma conta da Oi com vencimento para o dia 16. Ligo para a empresa e sou informada de que se a conta não chegar até a data de vencimento o cliente é que tem de pedir uma segunda via da mesma. Brincadeira. Quer dizer, recebo a conta com 15 dias de atraso e eles não têm nada com isso??? Pobres de nós! Com tantas contas para pagar, cada uma numa data, vamos ter que colocar na agenda, a cada mês, “verificar se a conta da Oi chegou”, pois me recuso a colocar este tipo de conta no débito automático. Até porque vira e mexe as ditas cujas vêem com erros. Não sei não, mas acho que esses juros mordidos aqui e ali devem fazem uma diferença no faturamento destas empresas. Seja como for, é mais uma falta de respeito com o consumidor.

Mais uma vez, desculpem o desabafo.



segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Documentário sobre Paulo Francis revela novas facetas de sua personalidade


Estou esperando este documentário sair há mais de dois anos, sei lá. Achava que o diretor, Nelson Hoineff, tinha tido problemas para finalizar o filme, pois já era para ter sido lançado há muito tempo. Antes, só alguns felizardos tiveram acesso a ele, em formato DVD, que foi lançado durante a entrega do Prêmio Esso de Jornalismo, em 2008. A versão para cinema, ligeiramente maior, só saiu agora e é esta que eu quero ver.
Hoineff garante que Caro Francis não é um filme nostálgico. Será que consegue? O que caracterizava o Francis era justamente o fato dele ser um jornalista polêmico e irreverente. Talvez por isso mesmo eu o admirasse tanto, principalmente no tempo do Pasquim. Nem sempre concordava com seus artigos, mas gostava tanto dele que cheguei a comprar dois livros seus mesmo durante o tempo de vacas magras da faculdade, o Paulo Francis nu e cru e Cabeça de papel.

Ele não tinha papas na língua e, como era muito inteligente, mordaz e desafiador, seus artigos e, principalmente, seus comentários na TV sempre representavam um algo a mais ao noticiário. O Diogo Mainardi, que por sinal era muito amigo dele e ocupou seu lugar no Manhattan Connection, dá um depoimento no filme. Por falar em Mainardi, só um parêntese: ele até tenta parecer com o Francis, mas não chega nem perto.

Havia quem odiasse o estilo de Francis, suas opiniões eu jeito de escrever, mas ele era um erudito, um homem culto e bem informado demais e não fazia questão de esconder isso de ninguém. E nem poderia, porque estava incrustado em seu ser, este era o Francis. Não sem razão, gostando ou não gostando dele, o fato é que ele foi um dos jornalistas mais importantes e influentes do Brasil na sua época.

Pelo que entendi, o filme de Hoineff não é uma biografia do Paulo Francis e foi feito a partir de depoimentos de vários de seus amigos, como Fernando Henrique Cardoso, Nelson Motta, José Serra, Fernanda Montenegro, Caio Túlio Costa, Sérgio Augusto, Ziraldo, Matinas Suzuki, Luiz Schwarcz e tantos outros, além, é claro da jornalista Sonia Nolasco, sua mulher por mais de 20 anos.

“Ele foi um grande amigo meu e o que tentei foi revelar um jornalista que muitos não conheciam, uma pessoa permanentemente transgressora, corajosa e profundamente generosa que fez a cabeça de toda uma geração”, disse Nelson Hoineff, para resumir o espírito de seu filme.




domingo, 17 de janeiro de 2010

A tragédia do Haiti e o sentido da vida


Tragédias como as do Haiti, a mais recente, me deixam absolutamente descrente de que haja alguma possibilidade de existência de um poder superior ou algo que o valha. Que me perdoem os crentes, que chovam as críticas e os esculachos, que os céus caiam sobre a minha cabeça, mas não dá para acreditar que tudo o que aconteceu ali, que todo aquele sofrimento aconteceu por obra e graça de deus e que isso possa fazer algum sentido para alguém.

Ao olhar para aquelas multidões desesperadas, esfomeadas, os sobreviventes de uma tragédia que matou 140 milhões de pessoas num dos países mais miseráveis do mundo, sinto um desalento medonho. E, na impossibilidade de ajudar, de contribuir para minimizar, de alguma forma, o sofrimento daquela gente, me revolto com a ideia de um deus pai, bondoso, amoroso, incrustada em nossas mentes desde a primeira infância.


Que pai deixaria seus filhos sofrerem tanto e de tantas maneiras? Porque a verdade é que todos nós, aqui na terra, sofremos. Alguns mais, outros menos, o fato é que a existência, definitivanente, não costuma ser um mar de rosas para ninguém. Longe de mim querer entrar em controvérsias religiosas ou debates filosóficos sobre este tema. Até admiro quem consegue ter e manter sua fé, apesar de tudo e diante de tudo. Quanto a mim, à medida que envelheço, multiplicam-se as interrogações e as dúvidas, assim como diminuem as certezas.


Criada em igreja metodista, tornei-me católica na adolescência, encantada com o ritual das missas e procissões, encantamento este que se somou à revolta com as proibições absurdas que me eram impostas por ser crente. Entre elas, a de curtir o carnaval. Desde então, já fui esotérica, umbandista, espírita kardecista, já namorei o budismo e até voltei a ser crente após passar por uma verdadeira lavagem cerebral num momento de grande depressão e crise existencial. Depois disso, tornei-me assumidamente agnóstica.


Posso afirmar que esta não é uma posição confortável. Existe um enorme preconceito contra quem assume não ter religião e, mais ainda, sobre os que admitem não crer em deus. A tolerância religiosa é um fato no Brasil, mas só para quem tem alguma religião, qualquer uma, nem que seja de fachada. Quanto a nós, os que não professamos nenhuma fé, mesmo ficando quietinhos na nossa e nos recusando a entrar em polêmicas, somos olhados meio de banda, como se não fossemos dignos de respeito.

Acho lamentável que a relação entre ateus e religiosos seja uma via de mão única. Eu não fico dizendo para os espíritas o quanto acho infantil e viajante a ideia da rencarnação. Não ridicularizo os adultos que se sentem dotados de superpoderes que os tornam capazes de vidências e premonições. Respeito os católicos mesmo considerando por demais hipócrita essa coisa de santos, anjos, demônios, assim como o céu e o inferno comum aos crentes. Mas a recíproca não é verdadeira. Vira e mexe sou olhada de banda e desconfiança por não ter religião, por não ter fé no sobrenatural ou no espírito santo. Mesmo sem dizer claramente, as pessoas encaram o fato de não ter religião uma espécie de defeito de caráter ou, pior ainda, um defeito moral.

O que, aliás, não deia de ser natural num país de crédulos como o Brasil. Nós, os que não cremos, somos uma minoria absoluta. Os ateus representam um por cento da população brasileira, segundo pesquisa do Datafolha e os agnósticos, feito eu, outros dois por cento. Os outros 97% crêem em algum tipo de divindade que rege o planeta, sendo que a maioria esmagadora acredita no deus do mito judaico-cristão.



Imagens de Aaron Jasinski e Ram Castillo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Zilda Arns, a Madre Tereza dos brasileiros


A morte de Zilda Arns me deixou triste demais, não me sai da cabeça. Esperei um pouco a poeira baixar, a ficha cair, para falar sobre esta mulher extraordinária, a quem eu tanto admirava, aqui no blog.

Não gosto de falar de mortes, detesto enterros, missas de sétimo dia e afins. Passo batido pelo noticiário sobre tragédias naturais e obituários. Mas, mesmo com atraso, quero deixar registrada minha homenagem a esta mulher única, linda, que o mundo acaba de perder. Com um sorriso permanente nos lábios, os olhos brilhantes, uma fibra e um entusiasmo capaz de mobilizar exércitos de voluntários para seus projetos, Zilda Arns transbordava bondade, pureza, entusiasmo e fé. Fé na vida, crença na solidariedade.
Na minha lista das dez maiores personalidades do mundo Zilda Arns certamente estaria num dos primeiros lugares. Personagem do mundo, ela foi morrer logo no terremoto do Haiti, cuja população miserável e sofrida mesmo antes da tragédia necessitava tanto de suas soluções salva vidas simples, baratas e eficazes.



Médica pediatra e sanitarista, dedicou-se a salvar milhares de vidas de recém-nascidos com cuidados básicos e muita dedicação. Coisas como ensinar as pessoas a aproveitar os alimentos até o final, estimular o aleitamento materno, distribuir multimisturas para combater a desnutrição eram algumas delas. Acreditando que a mortalidade infantil está diretamente ligada ao grau de escolaridade materna, sua última cruzada no Brasil foi recomendar à Pastoral da Criança que alfabetizasse o maior número possível de mães.

Zilda Arns não está mais aqui, com sua elegância e sua beleza madura, mas seu exemplo e suas marcas permanecerão. Nossa Madre Tereza de Calcutá sem hábito se foi, mas os 230 mil voluntários que arregimentou em todo o Brasil e em outros 17 países continuarão se multiplicando e não deixarão que seu exemplo e sua lição sejam esquecidos.




domingo, 10 de janeiro de 2010

Minha cidade - Ensaio fotográfico virtual


Enquanto redigia o post A minha cidade me lembrava de trechos de uma música linda com este mesmo título do Teleco e do Marcelo Guerra. O post rendeu um comentário de meu sobrinho Márcio Lugon sugerindo que a postasse aqui no blog. Era o que faltava. Saí atrás da letra completa, pedi umas fotos a Regina Lo Bianco que embarcou na viagem e até saiu à noite e de madrugada para registrar algumas imagens de Friburgo que ainda não tinha em seu portfolio. Eu adorei o resultado, tomara que vocês também. Uma espécie de ensaio fotográfico virtual embalado por uma linda canção. São declarações de amor a Nova Friburgo sob forma de poesia, de música, de fotografia e... de blog!



Minha Cidade
(Teleco Ventura/Marcelo Guerra)

Minha cidade é uma praça, toda florida cheia de graça


som de coreto retreta viagens no ar


amanheceu a neblina se deu raio de sol derreteu
banco jornal alto astral vejo você chegar


verde vermelho amarelo azul e lilás


luz nas montanhas completam o jogo de cor


Catarina flerta o Imperador




noite que veste a tarde na rua e no bar

gente no cio marquises garrafas que confusão
mão no bolso e pouca decisão


minha cidade toda florida praça coreto sonho ilusão


raio de sol derreteu vejo você chegar


sinto a cidade toda florida jogo de cor choro do trem

vivo um abraço inteiro te quero bem.



sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

“Abaixando a máquina” e o cotidiano dos repórteres fotográficos que fazem cobertura policial no Rio


O documentário “Abaixando a máquina - Ética e dor no fotojornalismo carioca”, foi exibido no semestre passado na faculdade, seguido de um debate sobre o tema. Esta semana tive oportunidade de assisti-lo novamente em casa e acabei fazendo um monte de cópias do DVD para meus amigos fotógrafos e alguns coleguinhas aqui do jornal.

O vídeo, de 2007, em longa-metragem, foi produzido pelo fotógrafo Guillermo Planel e o jornalista Renato de Paula, de forma independente, mas conseguiu ser exibido em diversos cinemas. Mostra o dia-a-dia dos repórteres fotográficos que fazem a cobertura da violência no Rio de Janeiro, a tensão, o medo, os dilemas dos profissionais no momento do registro dos conflitos, chacinas, confrontos e enterros. Impressionante como eles se expõem a riscos, ficam no meio de tiros cruzados, na maior. Precisa ser muito corajoso mesmo, eles vivem numa guerra civil.

"Muitas vezes saímos de casa sem saber se voltaremos”, diz, no filme, o premiado fotógrafo Severino Silva, de O Dia, um dos melhores profissionais do Brasil. A equipe de filmagem acompanhou a ação dos fotógrafos em tiroteios, como o momento em que um deles registra a imagem de um traficante atingido por um tiro de fuzil durante um tiroteio no Catumbi. “Não tem jeito, ficamos torcendo para a ação acontecer”, diz Nilton Claudino.

Contraditoriamente, estes mesmos profissionais jamais se acostumam com a violência que acontece diariamente diante de seus olhos. Um dos momentos mais pungentes do filme é quando o fotógrafo Wilton Jr. chora ao lembrar de uma foto feita num velório, congelando a imagem de uma menina chorando com a mão estendida sobre o corpo da irmã de dez anos morta, num caixão. Outro depoimento impactante é o do fotógrafo Custódio Coimbra, ao lembrar da tragédia com o ônibus 174. Ele estava lá e viu quando o bandido apontava sua pistola para a cabeça das duas mulheres que estavam lá dentro como se estivesse fazendo unidunitê. “Se o cara atirasse eu deixaria de ser fotógrafo”, disse.

(Foto: Agência Reuters)

Taí um trabalho que mexe com a gente. Não dá para ficar indiferente à dor de cidadãos que perdem seus filhos nos tiroteios da vida. Não dá para não se indignar com os conflitos armados e as imagens da guerra cotidiana travada diariamente entre bandidos e policiais nas favelas, morros e ruas da cidade. Sim, o filme é forte, a gente sofre junto com as vítimas e também com os nossos colegas que registram todas estas tragédias com suas máquinas. Mas também é verdadeiro, necessário.

(Foto: Marcos Tristão, de O Globo)

Sim, necessário até porque coloca em questão temas como a ética da cobertura policial e invasão de privacidade. De fato, não há coisa pior e mais difícil que registrar cenas íntimas e tão sofridas, como enterros ou o drama de famílias ao encontrar seus parentes mortos. Seria este é o momento de abaixar a máquina? Pode ser que sim pode ser que não. O filme levanta questões, mas não conclui nada. Ficam para o julgamento de cada um.

(Foto vencedora do Prêmio Esso 2006 - Engenheiro é morto no Centro)


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O mundo com quatro graus a mais



Tem feito um calor de rachar aqui em Friburgo, assim como no resto do país. É bem verdade que de noitinha vem aquele ar fresco da serra e temos a temperatura fica agradável demais, com aquele ar condicionado natural que é nossa marca registrada (ainda).

Mas, por falar em calor, estava eu no Pró-Memória pesquisando edições de A Voz da Serra de 1960 para a coluna A Voz da Serra há 50 anos (por sinal, modéstia à parte, muito lida e comentada na cidade) quando me deparei com uma informação surpreendente. As pessoas subiam a serra no verão porque nesta época do ano a temperatura na capital, isto é, no Rio de Janeiro, se aproximava dos 30 graus!!! Imagina. Hoje é esta a temperatura média de Friburgo no verão e no Rio, ela chega fácil aos 40. A informação constava de uma crônica assinada por Elsie Lessa, habituê da cidade que deixou vários textos onde declara seu amor por Friburgo.

Voltando ao clima, a coisa é assustadora mesmo. Este mapa incrível mostra como o mundo pode ser dramaticamente afetado se a temperatura média da Terra subir 4ªC. O mapa mostra como o cultivo de alimentos pode se reduzir nas maiores regiões produtoras atuais. Mostra ainda que uma parte das geleiras do Himalaia será significativamente reduzida até 2050, levando 23% da população chinesa a privações de água potável pelo derretimento das geleiras. Publicado pelo Ecologist, foi produzido por cientistas usando dados revistos e atualizados. Nào chega a ser novidade mas sempre é bom lembrar.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Isto é uma vergonha, seu Boris Casoy!



Sinceramente, recebi um e-mail sobre o caso, mas não acreditei. Agora, acabei de assistir ao vídeo no YouTube e estou estarrecida.

"Que m... Dois lixeiros desejando felicidades... Do alto de suas vassouras... Dois lixeiros...O mais baixo da escala do trabalho..." (Boris Casoy)

É muito preconceito junto. E a Band não tirou o cara do ar nem sequer se manifestou, dando o caso por encerrado. Na minha opinião e na de muita gente, tenho certeza, Boris Casoy não tem mais condições de ser âncora de nenhum telejornal.

As desculpas esfarrapadas dele não me convenceram. Para mim, o episódio é revelador e mostra muito da alma deste apresentador. E, quer saber? Boris Casoy nunca me bateu muito bem, sei lá porque, aquele "é uma vergonha dele" me soa falso demais.




A linda história de amor de Dalva e Herivelto



Só hoje de madrugada consegui assistir ao primeiro capítulo da minissérie que estreou ontem na Globo e gostei demais. E nem poderia ser diferente. As discussões e traições que permearam este romance, a trilha sonora, os figurinos e a ambientação da época, tudo isso aliado a um texto e uma direção irretocáveis e a interpretação de Fábio Assunção e Adriana Esteves (por enquanto, imagine quando a Fernanda Cândido entrar na trama!), enfim, tudo isso só podia resultar num excelente trabalho.

O melhor de tudo é que a série está apenas começando. Aguardo ansiosa o que vem por aí, principalmente o duelo musical que Dalva e Herivelto travaram. Ele, de um lado, juntamente com David Nasser e Dalva de outro, sustentada por músicas de Ataulfo Alves, Nelson Cavaquinho e outros. Tudo começou com o samba de Herivelto, Cabelos Brancos, respondido por Dalva com o Tudo acabado. Herivelto respondia com outras canções como Caminhemos, Quarto vazio, Caminho certo e Segredo. Dalva rebatia com Calúnia, Errei sim e Mentira de amor.
Hoje não vou conseguir gravar a série para ver depois, já sei...








sábado, 2 de janeiro de 2010

A minha cidade

Hoje acordei e ao abrir a janela, um sol esplendoroso inundava minha cama e meu apartamento. Um céu muito azul, com algumas nuvens, as montanhas recortadas, a atmosfera limpa, como se tivesse sido lavada após tantos dias de chuva. Friburgo. Minha terra, terra de meus pais, de meus avós, meu porto seguro.

Quis iniciar meu blog este ano com uma postagem que falasse sobre esta cidade cheia de contradições em que nasci, que reneguei durante tantos e tantos anos e para onde voltei. Friburgo, onde certamente irei morrer. Friburgo, com todos os seus fantasmas, que ainda me atormentam a alma vez por outra.

)
Que cidade estranha, Friburgo. De sua beleza, nem precisa falar. Nem com todas as agressões de que vem sendo vítima ao longo dos anos, Friburgo ficou feia. Sim, seria preciso uma boa plástica arquitetônica e, nem assim, conseguiríamos resgatar seus casarões históricos demolidos, suas árvores derrubadas, suas praças antes tão românticas.

(Foto: Osmar de Castro)
Não somos mais um pequeno município do centro-norte fluminense. Com quase 200 mil habitantes, Nova Friburgo é, queiram ou não e já há muito tempo, pólo de todas as cidades próximas. E, com todos os problemas de esvaziamento econômico que vem enfrentando, com todo o desemprego, ainda é uma cidade que permite a seus moradores uma qualidade de vida razoável com relativamente pouco dinheiro.


Fértil em talentos de todas as áreas, Friburgo tem grandes artistas, escritores, músicos, que tornam a vida cultural da cidade bastante movimentada. Quem diz que aqui nada acontece é porque não acompanha o noticiário da cidade, não lê nem a edição on line de A Voz da Serra, não assiste as TVs locais, não segue o CulturaNF (a coleguinha Scheila Santigo não deixa passar nada sem um registro) nem o Transparência Nova Friburgo (a Monique Schuabb é outra atenta observadora e divulgadora das coisas da cidade).
(Foto Osmar de Castro)
Problemas nós temos de montão. Um deles é a falta de amor dos friburguenses por sua própria terra. Nunca vi um povo rejeitar tanto sua cidade! O pessoal daqui tem mania de criticar tudo quanto é iniciativa que visa resolver ou minimizar nossas dificuldades, por vezes até rejeitando-as frontalmente. E, quando não chega a este ponto, também não é muito de apoiar. Alguns projetos, como o da nossa Valentina, todo mundo ama, acha lindo, quer aparecer em suas páginas, mas na hora de fazer um anúncio, por menor e mais barato que seja, nada. A própria A Voz da Serra, do alto dos seus quase 65 anos, vive esta mesma dificuldade e para sobreviver, acaba tendo que fazer muitas concessões. Como disse Zuenir Ventura, durante a festa dos melhores do ano promovida pela AFI, "fazer jornalismo na capital é fácil, difícil é fazer jornalismo no interior".

É, a elite friburguense, ou melhor, a falsa elite friburguense, é detestável. Não mudou nada desde quando saí daqui aos 20 anos. De geração em geração, continua de nariz em pé, fingindo ser o que não é, ostentando egoisticamente seus bens comprados a prestação nem sempre honradas, hipócrita e bajuladora dos poderosos. Uma tristeza.

Outro problema de Friburgo é a política. O município já teve políticos memoráveis lá nos antigamente, movidos unicamente por um amor genuíno a esta terra. Atualmente, somos governados por grupos com interesses próprios e que não são, necessariamente, os mesmos da população, muito pelo contrário. Mas deixemos este tema para os comentaristas políticos. Quer saber mais? Leia em Atos e Relatos que o coleguinha Antônio Fernando conta tudo em sua lista dos dez piores do ano.

Eu não sou muito de listas não, mas se fosse fazer uma, certamente iria listar os melhores e não as piores. Mas uma das melhores coisas de Friburgo hoje é sua gastronomia, com restaurantes de todos os estilos e para todos os bolsos. Hoje, por exemplo, é dia da feijoada da Deise lá no Cantinho da Roça, no Cônego, que é simplesmente maravilhosa. Experimentem e todo sábado a gente vai se ver por lá. Por falar nisso, fui. Tenho um monte de coisas para fazer antes de sair e foi lembrar da feijoada para a fome começar a bater.
Custódia e Fustebrino, os anfitriões do Cantinho.

Créditos das fotos: A primeira, do Caledônia, é da Regina lo Bianco; a segunda, da Praça Getúlio Vargas, é do Nelson Alvarez e as demais, do Osmar de Castro, tiradas no primeiro dia do ano, em que Friburgo ficou absolutamente deserta.