Estou esperando este documentário sair há mais de dois anos, sei lá. Achava que o diretor, Nelson Hoineff, tinha tido problemas para finalizar o filme, pois já era para ter sido lançado há muito tempo. Antes, só alguns felizardos tiveram acesso a ele, em formato DVD, que foi lançado durante a entrega do Prêmio Esso de Jornalismo, em 2008. A versão para cinema, ligeiramente maior, só saiu agora e é esta que eu quero ver.
Hoineff garante que Caro Francis não é um filme nostálgico. Será que consegue? O que caracterizava o Francis era justamente o fato dele ser um jornalista polêmico e irreverente. Talvez por isso mesmo eu o admirasse tanto, principalmente no tempo do Pasquim. Nem sempre concordava com seus artigos, mas gostava tanto dele que cheguei a comprar dois livros seus mesmo durante o tempo de vacas magras da faculdade, o Paulo Francis nu e cru e Cabeça de papel.
Ele não tinha papas na língua e, como era muito inteligente, mordaz e desafiador, seus artigos e, principalmente, seus comentários na TV sempre representavam um algo a mais ao noticiário. O Diogo Mainardi, que por sinal era muito amigo dele e ocupou seu lugar no Manhattan Connection, dá um depoimento no filme. Por falar em Mainardi, só um parêntese: ele até tenta parecer com o Francis, mas não chega nem perto.
Havia quem odiasse o estilo de Francis, suas opiniões eu jeito de escrever, mas ele era um erudito, um homem culto e bem informado demais e não fazia questão de esconder isso de ninguém. E nem poderia, porque estava incrustado em seu ser, este era o Francis. Não sem razão, gostando ou não gostando dele, o fato é que ele foi um dos jornalistas mais importantes e influentes do Brasil na sua época.
Pelo que entendi, o filme de Hoineff não é uma biografia do Paulo Francis e foi feito a partir de depoimentos de vários de seus amigos, como Fernando Henrique Cardoso, Nelson Motta, José Serra, Fernanda Montenegro, Caio Túlio Costa, Sérgio Augusto, Ziraldo, Matinas Suzuki, Luiz Schwarcz e tantos outros, além, é claro da jornalista Sonia Nolasco, sua mulher por mais de 20 anos.
“Ele foi um grande amigo meu e o que tentei foi revelar um jornalista que muitos não conheciam, uma pessoa permanentemente transgressora, corajosa e profundamente generosa que fez a cabeça de toda uma geração”, disse Nelson Hoineff, para resumir o espírito de seu filme.
Acabo de assistir um filme muito interessante, principalmente para quem, como eu, adora filmes de época. Na abertura, a informação: “Baseado em fatos reais” (olha o pleonasmo, gente!), A Duquesa (The Duchess, 2008) conta a vida de uma ancestrral da Princesa Diana, a Duquesa de Devonshire, Georgiana Cavendish, que viveu na Inglaterra nos idos de 1700 e, através dela, retrata de uma forma absurdamente fiel, o papel da mulher na conservadora sociedade da época.
O figurino é fantástico e não foi à toa que faturou o Oscar. Tem uma passagem interessante relacionada à moda. É quando o duque vai retirando as camadas das roupas intimas da duquesa e pergunta porque as roupas femininas são tão complicadas. No que ela disse: “A roupa das mulheres é a forma que nós temos de nos expressar”.
Mas, além do figurino, dos atores, dos cenários, não sobra muita coisa. Para mim, pelo menos, a trama meio que deixou a desejar. Não consegui ver nada na vida ou na biografia da personagem que justificasse tamanha produção. Sem falar no final, que é muito sem graça e inesperado, deixando a sensação de que ficou inacabado.
De um modo geral, porém, o filme é muito bom. Principalmente para fechar um final de semana. Eu é que dei pra ficar por demais exigente.
Se o vídeo sumir de novo (apesar de eu ter subido o dito cujo, vai entender), aqui vai o link. Budapeste. Tomara que o filme seja tão bom como o livro. Entre outras coisas lindas, esta coisa de escrever no corpo do outro, que sensualidade, que coisa incrível. Budapeste não é um livro fácil de ler como Leite Derramado, mas é uma obra-prima. O filme, de Walter Carvalho (Cazuza, junto com Sandra Werneck), com certeza guarda toda a sua sensibilidade e densidade do texto de Chico.
Interessante, só agora reparei, valeu a insistência em postar este trecho magnífico de Budapeste na voz de seu autor, meu amado Chico... Não é que já neste livro ele falava de leite? "E a mulher amada cujo leite eu já sorvera..."
Tomara que o filme seja tão bom como o livro. Entre outras coisas lindas, esta coisa de escrever no corpo do outro, que sensualidade, que coisa incrível. Budapeste não é um livro fácil de ler como Leite Derramado, mas é uma obra-prima. O filme, de Walter Carvalho (Cazuza, junto com Sandra Werneck), com certeza guarda toda a sua sensibilidade e densidade do texto de Chico.
Estou doida para assistir o filme “Garapa”, do José Padilha. Adoro documentários e achei geniais tanto o "Tropa de elite" quanto o "Ônibus 174". Rodado em preto e branco, sem trilha sonora, “Garapa” deve chocar mais que seus antecessores até por tratar de um tema ainda mais pungente, a fome. Alias, Padilha vem sendo acusado de não mostrar a verdade dos fatos. Segundo alguns, a situação mostrada no filme é isolada e não retrata a realidade das 11,5 milhões de pessoas que ainda passam fome no Brasil. Há quem diga que nenhum estrato da população brasileira (nem mesmo os de baixíssima renda) chega a se alimentar à base de garapa, como as três famílias famintas do interior do Ceará mostradas por Padilha. Duvido.
Jornalista, estou sempre envolvida em fatos e acontecimentos. Talvez por dever de ofício, vivo perseguindo a síntese, a objetividade. Para fugir destas amarras, me transmuto em Cris V, aqui neste blog ou em Priscila V , que de vez em quando arrisca uns poemas, quase todos guardados a sete chaves. Tem horas que sinto vontade de ter uma só identidade, digamos assim, mas estou presente em cada uma delas, não tem jeito. Multifacetada, confusa, dividida, atribulada e, sobretudo, muito, muito contraditória. Dalva Ventura, Cris V, Pricila V, não importa. Assim sou eu.