







Acabo de reler Leite Derramado e se não estivesse com tantos outros livros para ler, acho que toparia tresler esta obra-prima. Minha relação com o escritor Chico Buarque é de devoção absoluta. Mais ainda que como músico. E olha que sou looooooooooooooouca pelas músicas de Chico, tipo macaca de auditório mesmo.
Seus livros, porém, me atingem tanto, sei lá o motivo, que uma vez só é pouco para me satisfazer. Quero sempre mais. Fazenda Modelo, o primeiro que li, não chegou a me tocar tanto, mas a partir de Benjamim e Estorvo, passei até a preferir o Chico escritor ao Chico compositor. Com Budapeste, que já li sei lá quantas vezes, esta preferência se consolidou ainda mais. De uma certa forma, como jornalista, me identifiquei com a história do ghost-writer José Costa. O filme, de Walter Carvalho, é fantástico, mas o livro é melhor, muito melhor.
Chico consegue dar vida a tantos personagens, que se tornam, também inesquecíveis para quem leu! Nem estou falando de Matilde, sua grande paixão, mas da filha, da amiga da filha, do neto, da namorada do neto. Sem falar na enfermeira para quem, em princípio, ele está contando sua história.
Sei não, acho que vou pegar nele de novo, só para marcar umas passagens que adorei, como esta, por exemplo, quando referindo-se à sua filha Eulália, ao tornar-se avó, fala que "avós são que nem mães meio abobalhadas". Pura verdade. É o que eu sou com a minha Alice...
E, por falar em Alice, como é que eu pude esquecer de citar neste post os livros infantis de Chico... Sua obra-prima, Chapeuzinho Amarelo, já dei de presente para um monte de sobrinhas. Que coisa linda este livro.

E olha que hoje dispomos de tratamentos avançados e eficientes, medicamentos que dão conta de controlar pelo menos os sintomas da doença. Mesmo que, como li não sei aonde, que estes funcionam como um band-aid, nada mais são que curativos, impedindo que a pessoa se machuque ainda mais.
Eu, em??? Estou fora. Assim que der vou é passar uns dias no Rio. Estou precisando de sol, de mergulhar no mar, de rever amigos queridos, de ir ao teatro e depois sair para jantar, de passar horas na Livraria da Travessa esquecida do tempo, de ir ao Cervantes comer sanduíche de rosbife, de dormir e acordar tarde, enfim, de sair da rotina.
De repente, é só o que está me faltando. E só de pensar nisso já melhorei de astral.

Não que eu não goste do meu trabalho, longe disso. Gosto e gosto muito. Mas escrever sob encomenda, com todas as restrições e limitações comuns à imprensa (principalmente no caso de um jornal do interior) é bem diferente de escrever o que vem à cabeça, sem pauta, sem ter que pedir aval de ninguém, sem se preocupar em agradar ou desagradar.





Gente assim não devia morrer...






