sexta-feira, 25 de junho de 2010

"Cala Boca Galvão"


Eu estava viajando e fiz questão de (tentar) esquecer a internet. Quase consegui. Mas, de qualquer forma, só fiquei sabendo do fenômeno “Cala Boca Galvão” agora e achei o máximo. Principalmente por ter mostrado, mais uma vez, como as redes estão mudando comportamentos e até políticas de empresas de comunicação.

O fato é que a Globo ficou com uma tremenda banana quente nas mãos depois que a mensagem “Cala Boca Galvão” correu o país através do twitter. O protesto se disseminou com uma rapidez surpreendente, chegando a ter repercussão mundial. Até um clip com Hitler xingando o locutor circulou pela rede e vai aparecer em episódio dos Simpsons. A campanha ganhou até matéria no New York Times.


Não foi a primeira vez que os torcedores se manifestaram com o slogan "Cala Boca Galvão". A diferença é que antes o protesto se resumia a faixas nos estádios - o que também ocorreu agora nos estádios sul-africanos, mas que a Globo, com seu prestígio, conseguiu impedir. A Globo fez bem. Em vez de criar polêmicas com os twiteiros, ateando mais fogo na fogueira, brincou com a repercussão do fato em seus programas de esporte. E quem acompanha futebol garante que o Galvão está aparecendo menos e que daqui pra frente, ficará ainda com menos espaço, podem apostar. Garanto que o Galvão vai ganhar umas férias prolongadas depois da Copa. Bem feito.



terça-feira, 22 de junho de 2010

NY, a cidade que mais desperta uma devoção irracional nas pessoas, já dizia Woody Allen

Pisando pela primeira vez em NY

Viajar. Não conheço nada melhor para arejar a mente e a alma, principalmente quando viajamos em boa companhia. Esta minha viagem recente a NY foi assim, com tudo dando certo, se encaixando, desde o momento em que decidi ir até a hora da chegada, já saudosa de casa, dos meus travesseiros e até da rotina aqui. Foi um privilégio conhecer NY ao lado de minha filha, uma viajante contumaz, louca por mapas e geografias, uma companheirona em todos os sentidos.
Por outro lado, eu a surpreendi com uma incrível disposição física e mental. Fui uma companheira de viagem à altura e acompanhei seu pique (que não é pequeno) do primeiro ao último dia. Na véspera da volta, alugamos uma bicicleta no Central Park pelo dia inteiro, com direito a uma parada de umas duas horas para mais uma visita ao Metropolitan.

Com Julia no Rockfeller Center e o Central Park ao fundo

No Metropolitan, uma exposição de Picasso nos aguardava


Pausa para descanso e para admirar Manhattan do Central Park

O que mais me encantou naquele país? O nacionalismo de seu povo, que sempre foi grande, mas certamente cresceu ainda mais depois das bombas que destruíram o World Trade Center. Achei bonito demais ver a bandeira e as cores americanas por todo canto, em cada casa, cada jardim, cada carro. Aqui no Brasil, este nacionalismo só aparece em época de Copa do Mundo e, mesmo assim, depois que voltei de lá, achei muito, mas muito tímidas, estas manifestações.

Já que falei em atentados, outra coisa impressionante que observei foi a paranoia (mais que justificada, aliás) dos americanos quanto a isso. No metrô, cartazes mostrando uma caixa embaixo de um banco com os dizeres “If you thing something, say something". Um dia encontramos uma das alas do Central Park fechada pela Polícia por conta de uma mochila esquecida debaixo de uma árvore por um operário da manutenção. E, a melhor de todas. Para subir na Estátua da Liberdade, além de toda aquela segurança exigida para entrar num avião, agora a gente tem que passar por uma máquina que, literalmente, nos cheira inteiros. Certamente para ver se temos algum vestígio de pólvora ou assemelhados.

Mas, como já falei, mudei bastante minha opinião a respeito dos norte-americanos. Sem, entretanto, achar que eles estão certíssimos com relação, por exemplo, a sua política externa. A verdade, porém, é que construíram um país que pode se orgulhar de ser a terra das oportunidades e, não sem razão, nunca vi tantas pessoas de nacionalidades diferentes reunidas num lugar só. E não estou falando de turistas, claro, e sim de trabalhadores, gente de todos os países que encontrou ali o que não conseguiu em sua terra: emprego, trabalho, saúde, educação digna para os filhos, segurança e também, porque não, os prazeres do consumo. Recessão? Sim, é uma realidade (e não precisamos ir até lá para saber disso), mas, sinceramente, pelo menos numa breve e descompromissada visão de turista como a minha, não dá para perceber nada não.
O fato é que jamais imaginei que fosse me encantar com os Estados Unidos. Logo eu, que como todos ou quase todos os jovens dos anos 60, fui uma anti-americanista ferrenha, do tipo que nem calça Lee usava, por ser um símbolo do imperialismo ianque. Pois me rendi aos encantos da terra do tio Sam.

Sim, fiz quase todos os programas de turista, pois felizmente era esta a condição que me levou até lá. Mas, apesar do pouco tempo, pude vivenciar muito da cultura americana, já que não ficamos hospedadas num hotel e sim em New Jersey, numa cidadezinha tipicamente americana chamada Hawthorne, onde mora minha sobrinha e que fica a menos de uma hora de trem de NY.

Por falar em programas de turista, todos me perguntam o que mais gostei e a resposta está na ponta da língua. “O Fantasma da Ópera” na Broadway, é claro. Impressionante, emocionante, indescritível, a coisa mais linda que já vi na vida. Queria ter ido a muitos outros musicais, principalmente “Chicago” e “The King Lion”, que estão sendo muito elogiados, mas o tempo e os dólares não permitiram.

O espetáculo mais maravilhoso que já assisti

Também fiquei deslumbrada com a visão de Manhattan do alto do Rockfeller Center, principalmente à noite. E com o Central Park, que delícia de lugar, e também os museus, sobretudo o Metropolitan e o Madame Tusseau. Com Times Square e suas luzes, o Carnegie Hall, Wall Street, com o Village e seus músicos fantásticos cantando blues no meio da praça, a Estátua da Liberdade, o Empire State, enfim, com todos os símbolos desta grande cidade que nos acostumamos a ver nos filmes e noticiários de TV. Sem falar nas lojas e seus preços, muito, mas muuuuuuuuito mais baratos do que aqui, de roupas a eletrônicos. Sem brincadeira, mesmo sem ser propriamente consumistas, qualquer um sucumbe a estas tentações, até por saber que vai pagar três, quatro vezes mais caro por aqueles produtos quando vier a comprá-los aqui.

O visual noturno de NY a partir do Rockfeller Center

=

Frente a frente com Einstein no museu de Madame Tusseau

No Museu de História Natural


Também passamos um dia inteiro em Atlantic City, conhecendo os cassinos luxuosíssimos. Na foto, tirada em frente ao Taj Mahal, do Donald Trump, Beth, Debbie, eu e Julia

domingo, 30 de maio de 2010

Blog de férias



Andei muito esquisita. Eu e minhas ausências. Cheia de matérias para escrever e eu, ali, paralisada diante do word ou pro blogger em branco. Que dificuldade. Esquecimentos? Há muito já tinha saído de seus parâmetros habituais e que já podiam ser considerados exagerados. De mau humor à depressão foi um salto.

Foi então que tive uma ideia maluca. Viajar. Julia, minha filha, logo comprou a ideia e me presenteou com um um passeio a Nova York. O melhor de tudo é que vamos viajar juntas, que maravilha. Debrinha, estamos chegando!

Não vou encher o saco de ninguém com relatos e fotos de viagem, prometo. Mas quando voltar, já refeita do estresse que me deixou um bom tempo afastada deste blog, prometo retornar aos deveres de blogueira, com textos novos no ar. Sinto uma falta imensa de vocês, dos recadinhos, dos e-mails. Adorava quando meus seguidores perguntavam porque havia sumido do blog e me cobravam novos posts. Por enquanto, porém, bye bye e até breve.

domingo, 4 de abril de 2010

Mau humor


Ando num mau humor que dói. Nem eu estou me aguentando. Daí que sumi daqui do blog e só estou respondendo aos e-mails absolutamente necessários - aliás, só tenho feito mesmo o que é necessário.
Depressão? Sei não. Acho que depressão é coisa mais séria, que tira o chão da gente, nos impede de agir, de fazer as coisas, de trabalhar. Não é meu caso. Estou apenas desanimada.

Nada parece me motivar. Acho que se alguém chegasse agora me acenando com a viagem de meus sonhos eu até iria mas teria que fazer um certo esforço para me empolgar. Se é que me empolgaria. Além do mais, ninguém vai surgir diante de mim com uma proposta destas. Então, não preciso nem me preocupar.

Quase um mês sem meu notebook e isso sim, me tirou do sério, me tirou o chão. Sinto-me perdida sem meus textos esboçados, minhas imagens, minhas fotos, meus e-mails. Nada salvei pois era para o bichinho voltar no mesmo dia. Em vez disso, mandaram minha máquina para São Paulo sem me consultar e aqui fiquei, órfã de pai e de mãe. Abandonei meu blog. Em compensação, li muito mais, vi muito mais filmes e, como não sou de ficar parada e depressõezinhas ou desânimos, como queiram, não me derrubam, organizei fotos, documentos, fiz tanta coisa... Esta semana, parece ou melhor, o mais tardar, segundo me garantiram, ele, o notebook estará de volta.

E com ele, estejam certos, vocês que ainda me visitam, apesar de tudo, Cris V atacará novamente. Tenho tanto as contar, me aguardem!

Imagem Vladimir Clavijo Telepnev

quinta-feira, 25 de março de 2010

Chico Buarque, o escritor


Acabo de reler Leite Derramado e se não estivesse com tantos outros livros para ler, acho que toparia tresler esta obra-prima. Minha relação com o escritor Chico Buarque é de devoção absoluta. Mais ainda que como músico. E olha que sou looooooooooooooouca pelas músicas de Chico, tipo macaca de auditório mesmo.

Seus livros, porém, me atingem tanto, sei lá o motivo, que uma vez só é pouco para me satisfazer. Quero sempre mais. Fazenda Modelo, o primeiro que li, não chegou a me tocar tanto, mas a partir de Benjamim e Estorvo, passei até a preferir o Chico escritor ao Chico compositor. Com Budapeste, que já li sei lá quantas vezes, esta preferência se consolidou ainda mais. De uma certa forma, como jornalista, me identifiquei com a história do ghost-writer José Costa. O filme, de Walter Carvalho, é fantástico, mas o livro é melhor, muito melhor.

Cheguei, então, a Leite Derramado, que comecei a ler lá pelo final do ano, economizando para não acabar. Creio que este seja o livro mais denso de todos os que ele já escreveu. É espetacular.

Uma saga familiar, mostrando a decadência social e econômica da nobreza e da burguesia brasileira. A fala confusa, embaralhada e por vezes repetitiva do personagem principal, Eulálio Montenegro d´Assumpção, quase morrendo num leito pobre de hospital, é comovente. De família nobre, eles nos passa uma visão extremamente pessimista da sociedade brasileira desde aqueles tempos, os preconceitos de classe e de raça, o machismo, o oportunismo, a corrupção, a destruição da natureza, a delinqüência, está tudo ali. Impressionante como em tão poucas páginas

Chico consegue dar vida a tantos personagens, que se tornam, também inesquecíveis para quem leu! Nem estou falando de Matilde, sua grande paixão, mas da filha, da amiga da filha, do neto, da namorada do neto. Sem falar na enfermeira para quem, em princípio, ele está contando sua história.

Sei não, acho que vou pegar nele de novo, só para marcar umas passagens que adorei, como esta, por exemplo, quando referindo-se à sua filha Eulália, ao tornar-se avó, fala que "avós são que nem mães meio abobalhadas". Pura verdade. É o que eu sou com a minha Alice...

E, por falar em Alice, como é que eu pude esquecer de citar neste post os livros infantis de Chico... Sua obra-prima, Chapeuzinho Amarelo, já dei de presente para um monte de sobrinhas. Que coisa linda este livro.



quinta-feira, 18 de março de 2010

De depressão e outros bichos



Ando nostálgica demais e até um pouco deprimida, eu diria, daí meu sumiço aqui no blog.
Interessante como certos sentimentos surgem assim meio sem explicação e sem motivo. E, pior ainda, quando chegam a tomar conta da pessoa, deixando-a literalmente prostrada, incapaz de tomar iniciativas, por vezes até de trabalhar, de produzir.
Não é meu caso. Mesmo. Não sou chegada à fossa e baixo astral. De fossa só gosto mesmo é de Dolores Duran, Maysa, Nora Ney e Edith Piaf, Billie Holliday, Aznavour e tantos outros mais.

Tenho um medo danado da tal da depressão. Sei o quanto este estado é malévolo e perigoso. Já vi pessoas queridas se isolarem por completo, se destruírem, sob o jugo desta terrível doença. Um amigo meu se jogou recentemente da ponte Rio-Niterói. Deixou mulher, dois filhos, que horror. Pelo menos duas grandes amigas minhas, ambas brilhantes, uma artista plástica e outra, jornalista, jamais conseguiram se livrar das garras da depressão. Ainda estão vivas, mas é quase como se não estivessem.

E olha que hoje dispomos de tratamentos avançados e eficientes, medicamentos que dão conta de controlar pelo menos os sintomas da doença. Mesmo que, como li não sei aonde, que estes funcionam como um band-aid, nada mais são que curativos, impedindo que a pessoa se machuque ainda mais.

Eu, em??? Estou fora. Assim que der vou é passar uns dias no Rio. Estou precisando de sol, de mergulhar no mar, de rever amigos queridos, de ir ao teatro e depois sair para jantar, de passar horas na Livraria da Travessa esquecida do tempo, de ir ao Cervantes comer sanduíche de rosbife, de dormir e acordar tarde, enfim, de sair da rotina.

De repente, é só o que está me faltando. E só de pensar nisso já melhorei de astral.





Imagem Kevin Peterson

sexta-feira, 12 de março de 2010

De poesia e poetas


Estou praticamente sem computador. Meu notebook foi para uma geral desde segunda-feira e estou usando precariamente o daqui da sala. Não gosto. Sinto-me como se estivesse trabalhando ou melhor, como se não tivesse parado de trabalhar. Muito diferente de curtir blog (o meu e o dos outros) recostadinha na minha cama na frente da TV...

Não que eu não goste do meu trabalho, longe disso. Gosto e gosto muito. Mas escrever sob encomenda, com todas as restrições e limitações comuns à imprensa (principalmente no caso de um jornal do interior) é bem diferente de escrever o que vem à cabeça, sem pauta, sem ter que pedir aval de ninguém, sem se preocupar em agradar ou desagradar.

Por outro lado, tem sido bom este distanciamento.
Com Cris V assim meio por baixo, meu lado poeta, o mais obscuro, mais inseguro, mais escondido e menos trabalhado de minha personalidade, tem tido alguma oportunidade de se manifestar...

Desde a adolescência me atrevo a fazer poesia. Ou melhor, tento fazer poesia. A maioria (bota maioria nisso!) jogo fora no ato. O que sobra, também não demora a dançar. Tenho uma autocrítica bem desenvolvida e um razoável conhecimento do tema (pelo menos, muita leitura, pois sempre fui uma leitora voraz de poesia), que me permite avaliar com bastante isenção minha "produção poética", digamos assim. E, pelo menos por enquanto, posso garantir que ela não resiste a uma análise criteriosa. Priscila V (ou o pouco que dela sobra) tem mais é que ficar escondidinha no seu canto, treinando, treinando... Quem sabe um dia ela consiga produzir algo que possa até ser postado aqui no blog?

Que gênero difícil, a poesia. Não importa se com rima, sem rima, com métrica ou sem métrica, se poema, soneto, haikai ou até mesmo uma trova, tudo isso se reveste, pelo menos para mim, de uma extrema complexidade. E a facilidade com que se cai no pieguismo ou no kitsch! Talvez para os grandes, os verdadeiros poetas, isso não seja assim. E tem gente que já nasce poeta, não tem jeito. É o caso da minha sobrinha Rachel Rabello, que não tem mais de 20 anos mas desde sempre faz poesia da mais alta qualidade. Seria um dom inato? Pode ser desenvolvido? Qual o segredo???

De uma coisa eu sei. Não basta ter sensibilidade, criatividade, domínio de texto e adorar poesia para dominar minimamente este gênero literário. Eu amo poesia desde que me entendo por gente. Minha alma precisa de poesia tanto quanto precisa de música. São de poesia os meus livros de cabeceira e alguns dos meus blogs favoritos, o Terra de Esperança, o Poemblog, o Poesia Ilimitada, o Efemeridades e Delírios, o Confetes e ainda outros que acabo descobrindo e passando a seguir.

Bem que eu gostaria de ser capaz. Por enquanto, me limito a treinar e a curtir estes autores que alimentam nossa alma de beleza e sensibilidade. Neste domingo, 14 de março, Dia Internacional da Poesia, minha homenagem aos grandes poetas de ontem e de hoje. Os consagrados, os menos conhecidos, os anônimos e os quase anônimos. Com destaque para os meus favoritos: Pessoa, claro, Drummond, claro, Vinicius, claro, Cecília, claro, e Lorca, e Florbela Espanca, e Neruda e tantos outros mais. Sem falar em Ana Cristina César, Cacaso, Bruna Lombardi, Alice Ruiz, Caio Fernando Abreu, Adélia Prado, Ferreira Goulart, enfim, uma lista interminável. Felizmente.


Imagem de Colin Thompson






domingo, 7 de março de 2010

O alto astral dos coletores de lixo



Na semana passada, eu voltava da faculdade quando um caminhão de lixo me fez diminuir a marcha. Em de desviar e pegar a outra pista da avenida, que estava livre, fiquei alguns bons minutos observando os coletores em sua lida noturna. Fazia frio, chovia e eles lá, não apenas faziam seu serviço numa boa - muito bem feito, por sinal - como brincavam uns com os outros, riam, no maior bom humor.
Aqui em Friburgo, pelo menos, é assim. Não sei qual o segredo, o que pode levar alguém a ficar horas correndo atrás de um caminhão recolhendo sacolas de lixo deixadas nas esquinas, nos portões, nas calçadas sem perder o bom humor. Sei que a empresa onde trabalham tem um programa de ginástica laboral para prepará-los para o batente. Afinal, é preciso um baita esforço físico para dar conta do recado. Mas isso só não basta para explicar o alto astral dos rapazes. O salário não pode ser estas coisas. Eles me lembram os varredores do Sambódromo no carnaval. Mas lá é um dia ou dois. Aqui é o tempo todo, debaixo de chuva e, muitas vezes, enfrentando um frio daqueles.
E a gente ainda reclama da vida...





Imagens de Vik Muniz


sexta-feira, 5 de março de 2010

Don't let it die


Meu primo Ricardo El-Jaick me enviou um e-mail com este vídeo. Impressionante como Hurricane Smith, há 40 anos, já antevia o que iriam fazer com o mundo. Esta música - Don't let it die - com uma melodia maravilhosa, já animou muitos bailes na década de 40, mas quase ninguém entendia o que Hurricane Smith estava cantando com sua voz rouca. Reparem a letra.

"Não deixe morrer
Ao lado da montanha, a flor cresce
À margem do rio onde a água brota para sempre
O mistério da vida na floresta
A longa e graciosa história da vida

Não deixe isso morrer
Não deixe isso morrer
A liberdade do tigre
Do canguru
Depende de mim
e depende de você

O que vemos é o que escolhemos
O que mantemos ou perdemos para sempre
O mundo é nosso para chorar por ele
Mas e se é tarde demais para remomeçar?

Não deixe isso morrer
Não deixe isso morrer
Ou diga adeus - amém

Não deixe isso morrer
Não deixe isso morrer
Ou diga adeus no fim".



quinta-feira, 4 de março de 2010

Bispo quer mesmo ser jornalista. Não é piada!!!


Está lá no Observatório da Imprensa. O bispo-empresário Edir Macedo quer ter sua carteirinha de jornalista. Já há muito tempo que ele vem tentando, não sei porque. Em algum momento conseguiu na justiça o registro de colaborador e, no ano passado, depois que caiu a obrigatoriedade do diploma, apelou de novo e um desembargador deu ganho de causa à sua ação.

Seu objetivo é se associar a um sindicato sério (o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro), composto exclusivamente por trabalhadores. Sem nenhum juízo de valor, como bem o disse o Dines, o bispo que é patrão, não tem nenhum direito de se associar a um sindicato que defende o direito dos empregados, ora bolas.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Morre José Mindlin, uma lenda viva da cultura brasileira


A cultura brasileira está de luto. A literatura brasileira está de luto. O Brasil está de luto. Morre uma lenda viva do nosso país. José Mindlin. Além de ter administrado uma das empresas mais modernas do país (a Metal Leve), começou a construir a sua biblioteca, que tornou-se a maior do Brasil e talvez do mundo aos 13 anos.

Já tive oportunidade de ir uma vez, como repórter, é claro, de um sabadoyle (encontros intelectuais na casa do bibliófilo Plínio Doyle, em Ipanema, mas meu sonho mesmo sempre foi conhecer não apenas a biblioteca Mindlin, mas principalmente esta grande personalidade, esta grande figura humana e sua mulher, Guita, uma pessoa tão especial e generosa quanto ele.

Para quem não sabe, vale comentar que ele não apenas tinha lido, como sabia a história de cada volume ali guardado, as circunstâncias em que o livro foi publicado, a trajetória daquele exemplar e como ele foi adquirido, além da biografia do autor. Há alguns anos ele doou seu acervo para a USP (Universidade de São Paulo), dando origem à Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, resultado de uma vida dedicada aos livros, que por sua generosidade hoje é um patrimônio de todos os brasileiros.

Gente assim não devia morrer...


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Tudo o que é bom se faz devagar


Preciso desacelerar.

Preciso pisar no freio, deixar de viver num ritmo tão frenético.

Estou absolutamente dominada pela pressa, pela correria, pela falta de tempo.

Tudo na minha vida tem que ser rápido, imediato.

Esta perversa velocidade que vem tomando conta de todo o planeta me contagiou de tal maneira que quase não sei mais saborear lentamente os prazeres simples da vida.

Cheguei a esta conclusão no último domingo, depois de chegar de um passeio a Lumiar e São Pedro da Serra, com minha netinha Alice, minha irmã, meu cunhado e sobrinhas. Estava um dia lindo e muito quente, com o céu todo azul e encontramos uma prainha de rio maravilhosa onde as crianças e nós todos ficamos à vontade. Foi tão bom! Há muito tempo um programa não me fazia tão bem. E foi por muito, mas por muito pouco mesmo, que deixei de ir. Só fui mesmo para Alice Se não tivéssemos ido, ela e eu teríamos ficado em casa. Imagine fazendo o que? Cada uma na frente de seu notebook.

Um dos instrumentos que me induzem à velocidade é, realmente, a internet. Por isso mesmo, estou dando byebye para o twitter, que me toma um tempo enorme. Continuo dando minhas espiadinhas no orkut dos outros, mas o facebook , para mim, já é coisa do passado. Enjoei antes de chegar a curtir. O blog, por enquanto, só me dá prazer, não tenho a menor vontade de parar e acho que nunca vou ter.

Mas quero voltar a fazer almoços no domingo, algo que sempre me deu prazer, em vez de apenas descongelar uma lasanha (afinal, só deixei de fazer isso porque acabo ficando a manhã toda on line e a tarde toda também kkkkk). Quero ler O Globo e não O Globo on line nos finais de semana. Quero ouvir meus CDs e voltar a assistir filmes, muitos filmes. E trabalhar menos que ninguém é de ferro.

Lentidão será minha palavra de ordem daqui por diante. Quem quiser que me aguarde. Alguém já disse que “todas as coisas que valem a pena devem ser feitas lentamente”. Que coisa mais sábia!!! Minha prioridade agora é recuperar o controle do meu tempo, vale dizer, o controle da minha vida. Não sei se vou conseguir, mas vou tentar.






Imagem: Roberta Serenari

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Depressão e epilepsia ainda são um desafio para a ciência


Na tarde de ontem, a notícia de um suicídio movimentou a cidade. O dono de uma das maiores e movimentadas farmácias de Friburgo cortou os pulsos e se jogou do quarto andar de seu prédio. Foi depressão. Estava em tratamento e deixou até carta de suicídio.
Tenho pavor desta doença. Até porque ela muitas vezes se esconde sob uma capa de tristeza, desânimo, mas é muito mais do que isso. A depressão machuca, incapacita a pessoa para as atividades cotidianas, destrói laços afetivos e acaba com a autoestima, podendo, muitas vezes, culminar em suicídio.
A mais comum das doenças psiquiátricas, a depressão ainda continua desafiando a medicina. Suas origens biológicas e suas causas ainda não foram totalmente esclarecidas. Até pouco tempo acreditava-se que a depressão surgia devido à falta de neurotransmissores, substâncias associadas às sensações de prazer, autoconfiança, libido e até ao apetite. A hipótese mais aceita hoje é a de que a depressão está ligada ao mau uso que o cérebro faz dos tais neurotransmissores. Li não sei aonde que os medicamentos atuariam como uma espécie de curativo, que protege a ferida para que o doente não se machuque ainda mais. Apenas.
Não sei se é verdade. Se for assim, seria mais ou menos como o tratamento da epilepsia, que na maioria das vezes apenas controla as convulsões e tem que ser tomado pela vida toda. O cérebro é, realmente, uma caixinha de surpresas e ressonâncias que ainda tem muito a ser desvendado. Mas tomara que os cientistas, os pesquisadores, consigam desenvolver drogas que efetivamente tratem estas doenças tão comuns e ainda tão desconhecidas, perigosas e, principalmente no caso da epilepsia, cercadas de preconceitos.


Imagem: Mike Worral

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mauricio Porão e seu erotismo

Não sei por onde anda o Maurício Porão. Depois de uma breve passagem por Friburgo, onde morou durante cerca de um ano, depois de ter passado no concurso para fotógrafo da prefeitura, parece que foi para a Rio das Ostras. Porão é um concurseiro profissional, depois de ralar como motorista de táxi, policial e afins, começou a achar que emprego público ainda é a melhor maneira de ganhar a vida. A partir daí, resolveu meter a cara no estudo. E já passou em três ou quatro. Mas o que ele é mesmo é fotógrafo. Dos bons. Só que suas fotos não são nada comerciais.


São todas meio sombrias (ele só usa luz natural, nada de flashes), mas sempre ousadas e sensuais, muito sensuais. Passam a léguas de distância do vulgar, do déjà-vu. Suas fotos têm uma marca toda especial, e sim, há quem não goste delas. Tanto que costumam ser barradas em todos os lugares. O único lugar que expõe as fotos do Porão é o sebo Plano B, um espaço livre onde acontecem performances de música experimental e eletrônica, que ele mesmo define como "o último reduto do underground na Lapa".


Eu me interessei de cara pelas fotos de Porão. Pra começo de conversa, elas são muito originais. Não quero nem saber se elas têm ou não defeitos do ponto de vista técnico. O que importa, para mim, é o conceito que Porão imprime a cada uma delas. A começar pelo cenário. Ele fica louco quando encontra um casarão abandonado, de preferência em ruínas, um motel bem decadente. Muito mais fácil é encontrar quem queira posar para suas lentes. E que vão de mulheres comuns a punks, góticas, garotas de programa, atrizes pornô e até travestis. Eu adoro. Para mim, o Porão se supera a cada imagem. Além do mais, é uma grande figura humana. Sou fã do Porão.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Declaração de amor


Sacanagem. A Tijuca ganhar, tudo bem, mas a Mangueira ficar em sexto lugar depois daquele desfile esplendoroso da madrugada de segunda-feira é muita sacanagem. Para não dizerem que isso é papo de mangueirense, leiam o que o Guerra, que sequer é Mangueira, escreveu sobre o desfile. Desfile esse, aliás, que o levou às lágrimas. E também a mim, claro, mas comigo isso não é novidade.