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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Morre José Mindlin, uma lenda viva da cultura brasileira


A cultura brasileira está de luto. A literatura brasileira está de luto. O Brasil está de luto. Morre uma lenda viva do nosso país. José Mindlin. Além de ter administrado uma das empresas mais modernas do país (a Metal Leve), começou a construir a sua biblioteca, que tornou-se a maior do Brasil e talvez do mundo aos 13 anos.

Já tive oportunidade de ir uma vez, como repórter, é claro, de um sabadoyle (encontros intelectuais na casa do bibliófilo Plínio Doyle, em Ipanema, mas meu sonho mesmo sempre foi conhecer não apenas a biblioteca Mindlin, mas principalmente esta grande personalidade, esta grande figura humana e sua mulher, Guita, uma pessoa tão especial e generosa quanto ele.

Para quem não sabe, vale comentar que ele não apenas tinha lido, como sabia a história de cada volume ali guardado, as circunstâncias em que o livro foi publicado, a trajetória daquele exemplar e como ele foi adquirido, além da biografia do autor. Há alguns anos ele doou seu acervo para a USP (Universidade de São Paulo), dando origem à Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, resultado de uma vida dedicada aos livros, que por sua generosidade hoje é um patrimônio de todos os brasileiros.

Gente assim não devia morrer...


sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Morre J.D. Salinger, o autor de O apanhador nos campos de centeio


Quando li O apanhador no campo de centeio, aos 14-15 anos, até gostei, mas não chegou a me empolgar. Alguns anos mais tarde, instada pelo Wambier, acabei relendo e, aí sim, entendi porque o livro fez tanto sucesso no mundo todo e vendeu milhões de cópias. Wambier adorava O apanhador no campo de centeio, sabia trechos de cor e fez questão de dar um para cada menina.

Nunca entendi porque aquela história mexia tanto com ele, aliás, nem sei se nossas filhas chegaram a ler o livro e se entenderam a empolgação do pai por aquela história e narrativa. Eu só me lembro que era sobre um adolescente americano rebelde e atormentado, sua passagem para vida adulta. Não chegou a me tocar, talvez por ser mulher, sei lá.

De qualquer forma, O apanhador no campo do centeio é um dos maiores clássicos da literatura mundial e já provou ser uma obra de respeito até por sua resistência ao passar dos anos. Até hoje, 60 anos depois de lançado, são vendidos anualmente cerca de 250 mil exemplares, marca que muitos autores de best-sellers não alcançam.

Salinger morreu ontem e por causa disso seu nome volta ao noticiário. Conhecido como autor de um livro só, vivia recluso há muito tempo, dava pouquíssimas entrevistas e não se deixava fotografar. Mas numa entrevista que deu ao The New York Times, disse que amava escrever, mas só escrevia para si mesmo e para o seu prazer.

Estranho isso, não é? Todo mundo escreve para um leitor, hipotético ou não. Todo mundo que escreve quer ser lido. Eu acho.



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

De livros e leituras



Tenho lido poucos livros e isso me angustia. Estou com saudade dos meus livros. Como eu e D somos ratos de livraria e não resistimos a um livro, tem um monte na fila, a mesinha de cabeceira está que não ao cabe mais nada, que nervoso. Quando é que vou ter tempo de ler isso tudo, em? Acho que só se fizesse um cruzeiro ou passasse meses sem internet, sem televisão e sem companhia. Mas quem tem hábito de ler, como eu, não vive sem um livro por perto, não dorme sem ler nem que seja uma página e se delicia só com a perspectiva de passar uma tarde mergulhada em literatura.

Durante muitos e muitos anos, no período de vacas muito magras, graças a Belkiss e ao Antônio, da U-tópicos Fractais, pude continuar lendo a maioria dos livros que eu queria. Já há mais de 15 anos, eles têm uma locadora de livros, que funciona de modo semelhante a uma locadora de filmes aqui em Friburgo. O sistema deu certo justamente porque eles estão sempre investindo, compram nem que seja, três, quatro livros por mês e, com isso, conseguem manter um acervo bem atualizado.

Gosto de passar a mão nas páginas dos livros para sentir a textura. Gosto também de cheirar livro novo, a primeira coisa que faço quando compro um livro é cheirar.

Empresto livros numa boa. Se devolverem, ótimo. Se não, tudo bem também. Mas não gosto de ler livro emprestado. Porque leio muito deitada e dobro a lombada, o que acaba com meus livros. Também sou do tipo que faz orelhas nas páginas. Tanto para saber onde eu parei como para marcar páginas onde tinha alguma coisa que me chamou a atenção. Detesto marcadores de livros, quer dizer, são bonitinhos, alguns até guardo, mas só para enfeitar, depois que acabo de ler. Nunca usei.

Risco, marco, comento... Meus livros são todos marcados.

Sempre estou lendo um livro. E só um. Tem gente que lê vários de uma vez, eu nunca consegui. Fico tomada pelo enredo, pela história, de uma forma muito intensa, para dividir minha atenção.

Por falar em ficar tomada, já se foi o tempo em que insistia num livro sem estar gostando ou melhor, sem ter mergulhado nele. Hoje em dia, desisto com a maior facilidade. Não tenho tempo para perder. Agora retornei para A louca da casa. Não sou muito de leituras recorrentes, mas tem uns livros que me pegam pelo pé, como este. Aliás, acho que é por isso que não tenho muito apego ao objeto livro. Curto muito enquanto leio, fico literalmente apaixonada por cada um deles, mas depois que terminam, guardo num lugar qualquer do meu coração e já me encontro de novo envolvida com um novo amor. É por isso que quando um livro maravilhoso está acabando, começo a economizar, a ler em conta-gotas.

Com raras exceções, esqueço rapidamente a história de todos os livros que li só uma vez. O livro que li mais vezes foi, sei lá, acho que foi Reinações de Narizinho e Viagem ao céu, aliás, toda aquela coleção de capa verde de Monteiro Lobato.

Poesia é um caso à parte. Obras Completas, de Fernando Pessoa, está sempre ao meu lado, há anos. Mas fico meses sem ler e depois, mudo de poeta. Agora, com os blogs de poesia (de modo especial, o Poemarte e Terra de Esperança), quase não tenho tocado nos livros.

A cama é o lugar onde mais gosto de ler. Mas ler também é a melhor coisa a fazer quando se espera por alguém ou por alguma coisa. Por isso mesmo, levo sempre um livro na bolsa. Acho que é por causa disso que adoro edições de bolso (desde que sejam caprichadas).

A capa me influencia demais na hora de comprar. Já comprei livro pela capa. Sempre procuro saber quem fez e também quem traduziu. Já títulos não mexem tanto comigo, a não ser quando são realmente geniais.

Agora, não resisto mesmo a uma biografia. Acho que é meu gênero preferido.

Gosto de livros bonitos, como os de papel amanteigados da Cia das Letras. Não sou muito de frequentar sebos, mas desde que entrei a primeira vez na Estante Virtual virei cliente. É prático demais e baratíssimo.

Adoro dar livros de presente. É prático, até certo ponto, um presente barato, marcante, com personalidade. Mas sempre tenho medo de não agradar e sei que isso muitas vezes acontece. Fico impressionada com pessoas que não gostam de ler, que não sentem prazer com a leitura. Elas perdem uma parte muito interessante da vida.

Amo dedicatórias, bem pessoais, bem informais, do fundo do coração mesmo. Nada a ver aquele cartãozinho junto com o presente, como mandam as regras de etiqueta.

Que coisa mais charmosa é homem lendo, já reparou? Preste atenção da próxima vez que for a uma livraria, como eles ficam lindos tomando um café e com um livro nas mãos.

Aguardo ansiosamente a popularização do Kindle. Pode ser que eu me engane, mas acho que vou me adaptar perfeitamente.









Imagens de Tomasz Sętowski e Francine Van Hove

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A louca da casa


Há muito tempo não lia um livro tão bom quanto A Louca da Casa, de Rosa Monteiro, que Diego me deu de presente. Ele comprou o livro no escuro só pela capa, a apresentação de nomes como Mario Vargas Losa e Zuenir Ventura e uma breve olhada em alguns trechos. Procurei para dar de presente, já fui em vários sites e está esgotado, uma pena. O que ele me deu é da Agir, de 2008.

Como definir A Louca da Casa? Um romance? Um ensaio? Uma autobiografia? Não sei. Mas o livro é uma viagem. Fantasia, realidade, sonhos, loucura, paixão, medos e dúvidas dos escritores, está tudo ali. Quem lida com palavras se identifica geral porque Rosa Monteiro mostra as entranhas do enlouquecido ato de escrever, contrapondo a escrita enquanto ofício com a escrita como puro processo de criação.


Vejam este trecho: "Escrever, enfim, é estar habitado por uma mixórdia de fantasias, às vezes preguiçosas como os lentos devaneios de uma sesta estival, às vezes agitados e febris como o delírio de um louco".


Ah, ia esquecendo de dizer. Rosa Monteiro é uma premiada jornalista e escritora espanhola, autora de diversos livros e colunista exclusiva de El País.