domingo, 7 de março de 2010

O alto astral dos coletores de lixo



Na semana passada, eu voltava da faculdade quando um caminhão de lixo me fez diminuir a marcha. Em de desviar e pegar a outra pista da avenida, que estava livre, fiquei alguns bons minutos observando os coletores em sua lida noturna. Fazia frio, chovia e eles lá, não apenas faziam seu serviço numa boa - muito bem feito, por sinal - como brincavam uns com os outros, riam, no maior bom humor.
Aqui em Friburgo, pelo menos, é assim. Não sei qual o segredo, o que pode levar alguém a ficar horas correndo atrás de um caminhão recolhendo sacolas de lixo deixadas nas esquinas, nos portões, nas calçadas sem perder o bom humor. Sei que a empresa onde trabalham tem um programa de ginástica laboral para prepará-los para o batente. Afinal, é preciso um baita esforço físico para dar conta do recado. Mas isso só não basta para explicar o alto astral dos rapazes. O salário não pode ser estas coisas. Eles me lembram os varredores do Sambódromo no carnaval. Mas lá é um dia ou dois. Aqui é o tempo todo, debaixo de chuva e, muitas vezes, enfrentando um frio daqueles.
E a gente ainda reclama da vida...





Imagens de Vik Muniz


7 comentários:

Teodoro disse...

Aqui no Rio também... Tanto que aquele gari ficou conhecido como Sorriso. Realmente de se admirar!

Carlos Emerson Jr. disse...

Concordo, acho que é até uma maneira de lidar com um trabalho insalubre.

Mas a cena mais engraçada que já vi com garis foi no Rio: um caminhão de lixo estava parado numa rua de Copacabana e os garis recolhendo os sacos de lixo. De repente, o motorista do caminhão colocou a cabeça para fora e berrou um sonoro até logo e foi embora com a "viatura"!

Os garis ficaram olhando o caminhão se afastar, como que não acreditando no que viam. Eu estava na calçada e comecei a rir, não dava para ficar sério vendo a cara dos rapazes, espantadíssimos.

Na esquina seguinte o motorista parou e voltou de ré, às gargalhadas.

Acho que só com bom humor mesmo!

Ana Borges disse...

A besta do Casoy devia ler e ver esse post aqui. Quem sabe, enxergaria melhor a vida e melhorava da miopia física e mental que tem.

Liliana Sarquis disse...

Sabe que eu e Deise, semana passada, falamos exatamente sobre isso??? E tava chovendo. A mesma situação. É impressinante o bom humor. Eles brincam, sacaneiam um ao outro, cantam etc. Até Deise, uma pessoa que tem o mesmo "espírito" se surpreendeu. E aí, vc vê gente que ganha muito bem, trabalha no que gosta, sempre de mau humor, sempre querendo mais, sempre com ganância em primeiro lugar. Gente que só pensa em dinheiro é um saco.

Helena disse...

Isso sempre me chamou a atenção. Quando eu morava na Fernando Bizzoto sempre via o caminhão passando e eles brincando, rindo... Parece que estão se divertindo, não trabalhando!

Daniella Rabello disse...

Oi Cris...ou Dalva?
Como diz um grande amigo, nao importa quem escreve, mas o que escreve. Adorei o blog, bem diversificado e dinamico. Este texto sobre o trabalho dos garis está ótimo. Está aí uma profissão que merece todo nosso reconhecimento.
Um abraco,
Daniella Rabello
metropoledostrinta.blogspot.com

Léo Silveira disse...

Muito bom mesmo.
Vejo isso quase que todos os dias. É a simplicidade do saber viver.

Levar sempre tudo a sério definitivamente não é um bom caminho e achar que o dinheiro está acima de tudo, está mais equivocado ainda. A vida tem outros valores maiores.

A cena mais engraçada que vi com uma equipe de coleta foi em Arraial do Cabo em 1988. Engraçada é pouco pra definir.:)

Um dos rapazes corria numa velocidade impressionante atrás do caminhão quando de repente sai de uma garagem um Cachorro a toda velocidade atrás dele. O pobre rapaz não teve muita alternativa e acelerou e dobrou numa rua, só que era uma rua sem saída, já lá perto de acabar a rua ele deu de mão num Tonel (bombona) Plástica Vazia continuou no pique e virou de repente para o cacho e... quando o cacho estava já no ar pra pular nele, ele enfia o tonel no Bicho e emborcou no chão pro bicho não escapar. Depois gritava Socorro e suava frio fazendo força pro bicho não sair dali. A essa altura já tinha uma turma na rua as gargalhadas pela cena cômica e inusitada. Precisou vir o dono da "fera" pra liberar o coitado do rapaz.

Coisas que só na vida Real mesmo pra se ver.

Parabéns pelo texto. Ri muito e me fez lembrar de uma cena que não lembrava a muito.