

Estava eu aqui mergulhada na correção dos textos redigidos por meus alunos de Redação em Comunicação III (quinto período do curso) quando me deparo com a palavra ‘sensura’ grafada assim mesmo, com ‘s’. Erro de digitação, pensei. Mas, logo adiante, tinha outros ‘sensura’, aliás, dois na mesma frase - outra falha de redação imperdoável.
Mais um para a minha lista de ‘erros imperdoáveis’. Vejam se não é, realmente, imperdoável, uma pessoa que faz um curso superior de Comunicação (e, portanto, pretende seguir a carreira de jornalista ou publicitário), escrever, por exemplo, 'pesquizas', com ‘z’, 'compania', sem ‘h’, 'disperdicei', com ‘i’, 'propia', sem ‘r’, 'recentimento', com ‘c’ e daí por diante.
Sem falar em outras agressões ao idioma, ainda mais graves – e, decididamente, inacreditáveis - que venho flagrando ao longo das cansativas correções nos textos semanais que me são apresentados. E que, diga-se de passagem, na maioria das vezes, só são redigidos porque “valem nota”. Enquanto não adotei este critério, pouquíssimos alunos se davam ao trabalho de fazer as redações propostas.
Só para vocês terem uma idéia da dimensão do problema, aqui estão algumas destas ‘agreções’ ao nosso belo idioma da minha coleção de pérolas:
hurbano, atênção, recolem (recolhem), langerie, sussego, contextações, higiêne, despeza, alto-didata, em quanto, (enquanto), incomenda, descordou, insiguinificante, autíssemos, hurbano, dividi (divide), de mais (demais), assecível, agrícula, atênção, entendi (entende), juis (juiz), desatualisada, le (ler), deicham, toda via, indentidade, aumejava, consedido, reuni (reúne), envestem, impocibilitado, trêm (trem), impresária, concertar, visinhos, engressou, em posta (imposta), em capaz (incapaz), divido (devido), íngrimes, diverção, pré-viamente, cumprimentão, fan (fã), durmir, despesso e outras agressões, como ‘câmara’ de gás, ‘Câmera’ dos Deputados, ‘tráfico’ de veículos, ‘tráfego’ de drogas, ‘a’ muito tempo.
Obviamente, só aponto os responsáveis por estes crimes contra a língua portuguesa para seus próprios autores. Mas faço questão de exibi-los e destacá-los em classe, para que todos os alunos se dêem conta de como os mesmos são gritantes e como depõem contra quem os comete. Minha esperança é que, a partir daí, comecem a ler mais, a correr atrás do tempo perdido.
E notem que estou falando apenas de erros ortográficos, sem levar em conta a falta de coerência, de articulação, eu diria até, de sentido, de muitos textos que chegam às minhas mãos. Lamentavelmente, o que venho constatando em minhas aulas é que muitas pessoas chegam à universidade sem conseguir se expressar por escrito de uma forma minimamente clara e correta.
É desanimador constatar a falta de base, o despreparo destes meninos, mas a culpa, certamente, não é deles. Se chegaram até onde chegaram é porque, mal ou bem, cursaram 12 anos de escola, sem contar o tempo de faculdade. Lastimável.