Chove lá fora. O dia está cinzento e frio, mas eu começo a semana de alto astral. Feliz da vida, hoje vou sair de vermelho e preto, em homenagem ao Mengão. Mas estou assim nem foi por causa da vitória do time mais popular do país, não, que nem tão ligada sou a futebol.
Já na manhã de ontem havia tomado a decisão de não me deixar mais contagiar pelo baixo astral que tem me invadido mal tomo conhecimento das noticias do dia. Claro que vou continuar me indignando com as falcatruas, os roubos, a corrupção, os jogos do poder, assim como com a violência, a homofobia, a discriminação ou o disse-me-disse e as mediocridades aqui da província.
Mas não vou deixar que nada disso me atinja mais. Estou blindada, protegida. Como? Deixando que a beleza, a poesia e a música me invadam, permanentemente. Reservando espaço na agenda para mergulhar nestes oceanos. Funciona. Ontem me senti leve e alegre o dia inteiro. Passei a manhã ouvindo poesia em forma de música, um CD com poemas musicados de Fernando Pessoa, nas vozes de nomes como Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Elba Ramalho, tem um até gravado por Elizeth Cardoso.
Depois, mergulhei em Budapeste, de Walter Carvalho, um filme denso, sensível, delicado. Só não consegue ser mesmo melhor que o livro, aliás, acho que nenhum filme consegue. Mas aquele lance de escrever no corpo das mulheres é mesmo extremamente sensual. Pode ser só porque foi narrado pelo Chico, que é o maior símbolo sexual de todas nós, mas de qualquer forma, é lindo demais, faz bem à alma.
Mudança de registro. Futebol. Quanta emoção, quanta adrenalina e... Vitória do Mengo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
O que eu mais gosto, quando o Flamengo ganha, é ver a festa da torcida, acho que nenhuma supera a do Flamengo em paixão.
Para completar, teve o show da Madonna no Multishow. Mais de duas horas. Foi o espetáculo que ela fez em Buenos Aires, uma loucura de lindo. Os argentinos são loucos por Madonna, principalmente depois que ela interpretou Evita no cinema. Quando ela canta “Don’t cry for me, Argentina”, então, a plateia delira, chora, vai, literalmente à loucura. Adoro a Madonna, gente, uma paixão que aumenta a cada dia, a cada show, a cada aparição dela.
Um sol tímido começa a se esboçar, parece que o tempo vai abrir, melhor assim. Chuva demais aqui em Friburgo sempre preocupa.Já marquei minha massagem que me deixa novinha em folha e nunca tenho tempo de fazer. E hoje estarei às 21h na TV Zoom (canal 10 da RCA TV) dando uma entrevista sobre blogs, twitter e coisa e tal no programa Ideias e Ideais, mais conhecido como o "programa da Janimary".
Se o vídeo sumir de novo (apesar de eu ter subido o dito cujo, vai entender), aqui vai o link. Budapeste. Tomara que o filme seja tão bom como o livro. Entre outras coisas lindas, esta coisa de escrever no corpo do outro, que sensualidade, que coisa incrível. Budapeste não é um livro fácil de ler como Leite Derramado, mas é uma obra-prima. O filme, de Walter Carvalho (Cazuza, junto com Sandra Werneck), com certeza guarda toda a sua sensibilidade e densidade do texto de Chico.
Interessante, só agora reparei, valeu a insistência em postar este trecho magnífico de Budapeste na voz de seu autor, meu amado Chico... Não é que já neste livro ele falava de leite? "E a mulher amada cujo leite eu já sorvera..."
Tomara que o filme seja tão bom como o livro. Entre outras coisas lindas, esta coisa de escrever no corpo do outro, que sensualidade, que coisa incrível. Budapeste não é um livro fácil de ler como Leite Derramado, mas é uma obra-prima. O filme, de Walter Carvalho (Cazuza, junto com Sandra Werneck), com certeza guarda toda a sua sensibilidade e densidade do texto de Chico.
"Noite de autógrafos de Chico provoca histeria”. Estava lá na primeira página do portal do UOL e como se tratava de Chico, abri o vídeo. Fiquei impressionada. Chico chega ao local onde vai participar de uma mesa literária ao lado de Milton Hatoum e é recepcionado por um monte de gente que tentava entrar sem ingresso, com direito a tumulto, empurra-empurra e tudo. Coitado do Chico, deve ter ficado constrangidíssimo. Afinal, ele foi à Flip como autor, não estava ali para fazer nenhum show. Não cabiam gritinhos histéricos de fãs naquele local.
Posso estar sendo mais uma vez preconceituosa, mas na minha opinião, aquelas pessoas ali foram à Flip sem ingresso e também sem nunca ter lido um livro de Chico. Conheço até quem nem se interessa em ler os livros dele, já lhes basta o Chico compositor e não escondem isso. Eu acho isso esquisitíssimo. É como gostar de alguém pela metade.
Chico é um grande escritor. Li todos os livros dele, desde Fazenda Modelo, o primeiro, a Budapeste, passando por Chapeuzinho Amarelo, que dei para minhas filhas, quando eram pequenas, um livro maravilhoso para crianças. Gostei mais de uns que de outros, claro, mas o que mais gostei foi Benjamim, sobre um ex-modelo fotográfico. Só não li ainda o recém-lançado Leite Derramado, tenho tido tão pouco tempo para ler...
Sim, os livros de Chico não são como suas canções, fáceis de agradar. São bons, mas não para todo leitor. Vocês não acham que cada tipo de autor tem seu tipo de leitor? Eu, por exemplo, não leio o Saramago, que muitos acham maravilhoso. Não gosto do texto prolixo dele, daqueles parágrafos enormes, daquelas frases gigantes sem ponto. O único que li foi Ensaio sobre a cegueira e só fui até o fim porque naquela época eu tinha esta mania. Continuar a leitura mesmo se não estivesse ligada no livro. Hoje não tenho mais tempo para isso. Se não me prender, parto para outro que a fila de livros que estão me tentando é grande.
Jornalista, estou sempre envolvida em fatos e acontecimentos. Talvez por dever de ofício, vivo perseguindo a síntese, a objetividade. Para fugir destas amarras, me transmuto em Cris V, aqui neste blog ou em Priscila V , que de vez em quando arrisca uns poemas, quase todos guardados a sete chaves. Tem horas que sinto vontade de ter uma só identidade, digamos assim, mas estou presente em cada uma delas, não tem jeito. Multifacetada, confusa, dividida, atribulada e, sobretudo, muito, muito contraditória. Dalva Ventura, Cris V, Pricila V, não importa. Assim sou eu.