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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Uma viagem o concerto de Arthur Moreira Lima

O mínimo que se pode dizer do concerto de Arthur Moreira Lima ontem no Festival de Inverno é que foi uma viagem. O público (respeitoso desta vez) lotou, literalmente, o Teatro Municipal (cujo nome é Ariano Suassuna, mas estão querendo rebatizar, vê se pode, mas isso já é outra história). Vi gente sair do concerto chorando e não foi à toa não. Aquelas mãos mágicas emocionam a qualquer um dotado de sensibilidade.

Claro que Chopin ajuda. Afinal, Chopin é provavelmente o compositor erudito mais popular do mundo. E Arthur Moreira Lima sempre procurou fazer um trabalho de democratização da música erudita. Então, até para seduzir a platéia e fazer o povo entrar no clima, Arthur Moreira Lima abriu o concerto com peças curtas e bem conhecidas, que a gente ouve até em audições de piano, como o Noturno em dó menor e a Grande valsa brilhante. Mas foi só pra esquentar.
Terminou a primeira parte com Scherzo e na segunda, atacou com mazurcas. Um espetáculo. Aplaudidíssimo, sentou-se de novo ao piano para deleite de todos e nos brindou com um clássico da MPB romântica. Nada mais nada menos que Teus olhos, de Garoto, que todo mundo conhece ( "Teus olhos / são duas contas pequeninas / qual duas pedras preciosas / que brilham mais que o luar..."). Aí a plateia foi abaixo. Delírio total. Não dava vontade de deixar o homem ir embora. (Foto: Daniel Marcus)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sintonia e sinfonia

Estava aqui em casa ouvindo Chopin para entrar no clima da apresentação de Arthur Moreira Lima hoje à noite. Tenho saído muito atualmente, com frio e tudo. Também, pudera. Com Festival de Inverno, Festival de Dança, tanta coisa acontecendo aqui na serra o jeito é se agasalhar, beber umas e outras, deixar a preguiça de lado e correr pra pegar um bom lugar.
E ainda tem gente que diz que em Friburgo nada acontece. Já falei sobre isso aqui no blog, mas já tinha pensado em voltar ao tema até em função de um comentário feito pela Liliana Sarquis. "Claro, não estamos no Rio nem em São Paulo, mas quem diz que Friburgo não tem nada é realmente muito desinformado ou tem muita má vontade", ela disse.

Assim como a Lili, já vi músicos magníficos se apresentando para meia dúzia de pessoas. Nem os músicos da terra marcaram presença, vai entender. E não é só com música não. Já fui a uma peça com Paulo Gracindo (Paulo Gracindo, gente!) de graça no Sesc com metade da plateia vazia. Há alguns anos, atendendo a um pedido meu, o Zuenir Ventura, meu querido primo, guru e mestre veio a Friburgo conversar com a galera lá do curso de comunicação da Candido Mendes, onde dou aula. Fiquei morrendo de vergonha. Sem brincadeira, não tinha nem vinte pessoas na sala, apesar da divulgação dentro e fora da faculdade.
E não é só com gente de fora não. Lili, que sai muito mais do que eu, diz que já reparou. Os músicos locais não costumam ir aos shows de seus colegas, os artistas plásticos quase não aparecem nas exposições, assim como nossos atores e atrizes também não prestigiam as peças de teatro montadas sabe-se lá com que sacrifício, por seus colegas daqui. Agora, quando vem um global, falta lugar, tem que comprar com antecedência, pois senão a pessoa fica sem ingresso. Pode?
Liliana me contou que ao rebater o comentário de um amigo sobre o fato de Friburgo nada ter para se fazer, ele acabou por concordar, mas saiu-se com esta pérola. "É, na verdade tem, mas o que falta mesmo é divulgação". Ah, fala sério! Quem só assiste TVs do Rio e de São Paulo (temos três canais locais, gente!), não lê A Voz da Serra nem pela internet, não entra em sites locais, não ouve as rádios da terra, não vê cartazes nas ruas e, principalmente, só sabe falar (mal) da vida alheia e não conversa com ninguém sobre estes assuntos certamente não vai saber nunca o que está acontecendo.
Não falta divulgação, falta é interesse e ponto. Muitas coisas acontecem no Rio que não são nem divulgadas e ficam lotadas. O que estas pessoas querem? Que a produção vá de casa em casa convidando as pessoas???
Liliana tem toda razão. A maior parte dos que reclamam, na verdade só quer sai de casa pro oba-oba, pra dizer "eu fui ao show de fulano". Desde que fulano esteja na mídia ou seja chique dizer que gosta dele. E aí acontece o que vimos no Carmina Burana: gente que no fundo acha um saco música erudita, mas que foi só pra dizer que é culto. E a impaciência de ouvir a tal música aliada à má educação acabou por incomodar quem realmente gosta com conversas e risos, falando ao celular etc...