terça-feira, 30 de junho de 2009

Carmina Burana no Festival de Inverno de Friburgo

Acabo de voltar do lançamento do Festival de Inverno aqui de Friburgo, que volta a seu formato original - ênfase na música clássica, sem deixar de lado a MPB de qualidade reconhecida. O mais bacana é que o festival (de 16 a 27 de julho, com todos os espetáculos gratuitos) volta também a ser realizado no Country Clube, cenário que o tornou conhecido em todo o país.

Os shows maiores terão como palco a ilha, como era antes do Sesc ter assumido sua realização. Lembro especialmente de Ney Matogrosso cantando ali num dos muitos festivais de inverno, tendo como cenário um céu especialmente estrelado e uma lua cheia daquelas gigantes a refletir no lago.

Soube que o rompimento do convênio (ou contrato ou lá o que seja) da prefeitura com o Sesc não foi nada amistoso e deixou marcas. Enfim, o que nos interessa é que, felizmente, o festival volta a ser o que era e no local de onde nunca deveria ter saído. Eu e todo mundo que conheço nunca nos acostumamos com o festival de inverno do Sesc. Pra mim, se não era no Country podia ser tudo, menos Festival de Inverno.

Este ano, o Festival de Inverno volta a ter também a assinatura de Miriam Dauelsberg, não precisa dizer mais nada. Por enquanto, só está confirmada a participação da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro completa, inclusive o coral infantil e adulto, mais de 300 integrantes interpretando Carmina Burana, imagina, um luxo. Ah, e também está confirmado o show de Vanessa da Matta, também um luxo. Mas tem coisa quente praticamente certa que a Dell'Arte ficou de confirmar até sexta-feira, depois eu conto.

Roupas fashion também para gordinhas

Felizmente, não é meu caso, já que por um milagre inexplicável, de uns anos para cá me tornei uma coroa magra, sem que tivesse feito qualquer esforço para isso e continue comendo meu quarteirão com fritas no Mc Donalds e me entupindo de amendoins e chocolate com menta. Mas saúdo com entusiasmo a novidade.
Já era tempo das marcas investirem em peças com uma numeração maior. As gordinhas têm todo o direito de ter acesso à moda, só que os estilistas e as grifes pareciam ignorar isso até agora. Mas outro dia li no caderno Ela que diversas marcas estão tratando de lançar no mercado modelos bacanas com manequins que vão de 44 a 50.
Uma imposição do mercado, talvez, ou melhor, com toda a certeza. Basta dizer que nos Estados Unidos quase 20% das mulheres entre 18 e 35 anos estão acima do peso. No Brasil, certamente não chegamos a tanto (a vaidade das brasileiras não deixa), mas mesmo assim tem muita gordinha querendo consumir moda e não conseguindo.
Me lembro que era uma tortura entrar numa loja quando tinha de comprar uma roupa. Quem está acima do peso não tem opção a não ser em lojas e departamentos especiais para gordinhas, que não têm peças mais fashion e onde só se encontra coisas horrrorosas. Sem falar que a numeração parece ser feita para modelos que só têm pele e osso, não têm peito nem bunda. O 4o cabe em meninas de dez anos, o 38 nem se fala... E o 42, que era usado pela maioria de nós, encolheu. Não cabe em ninguém mais. Para as mais cheinhas - e não estou falando de gordas não, em? - resta o 44 ou mesmo o 46. É mole?

Caetano Veloso - Billie Jean, em Porto Alegre

Caetano Veloso faz uma homenagem emocionada a Jacko no dia em que ele morreu, durante show em Porto Alegre

Me dei de presente. Debussy por Nelson Freire

Resolvi me dar um presente. Um CD, objeto que não compro há anos, até porque, como todo mundo, baixo as músicas e álbuns que quero (santa internet!). Mas tem CDs que a gente quer ter de verdade, com capa, todo bonitinho. E o de Nelson Freire dedicado a Debussy, que saiu recentemente, era um deles. O mínimo que posso dizer do disco é que é sublime. Não sou nada entendida em música clássica, apenas gosto de ouvir determinados compositores, em geral, românticos. Mas Nelson Freire vai muito além do romantismo de Debussy, assim como fez com Chopin e Schumann. Não me canso de ouvir "Clair de Lune". Já tive oportunidade de curtir Nelson Freire ao vivo num memorável concerto durante um dos festivais de inverno aqui de Nova Friburgo, mas nada se compara ao êxtase que proporciona a seus admiradores com esta gravação. Ouvi-lo interpretando Debussy em estúdio só faz aumentar o espanto diante de seu absoluto controle do teclado.

Debussy, Clair de Lune

Achei a gravação. Pena que as imagens não têm nada a ver...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Não custa nada, vai lá...

Dê um click e salve mulheres.

domingo, 28 de junho de 2009

Preconceito é uma merda

Eu sempre me orgulhei de não ser preconceituosa. Não admito preconceitos de qualquer tipo e fico arrasada comigo mesma quando percebo em mim algum vestígio desta praga. Acontece vez por outra, sim, principalmente em se tratando de situações que envolvem cultura.
Neste particular, já me flagrei preconceituosíssima, apesar de detestar isso. Agora mesmo pude constatar isso. E vou me penitenciar contando o que aconteceu. Há alguns dias me meti a criticar Marília Gabriela aqui neste blog por estar ela entrevistando o padre Fábio de Mello. Tipo não vi e não gostei mesmo. Preconceito puro. Pois ontem a TV estava ligada à tarde na GNT e o programa estava sendo reprisado. Acabei ligada na entrevista e o cara me pareceu até muito articulado. E Marília Gabriela, só ela, chamava o padre de "Fábio", fez ele confessar que usa botox e até a dar sua opinião sobre homossexualismo no clero. Grande Marília Gabriela. Mas alguém tem de falar pra ela parar de pedir pro entrevistado dizer aquelas frases no final do programa. Aquilo não está com nada.

Canudo e competência

No Globo do dia 25 (que, pra variar, li com atraso), um artigo fantástico da Cora Rónai que encerra definitivamente os debates sobre a questão do diploma. Fiquei com vontade de enviá-lo pra um monte de gente. Para facilitar, acabei postando aqui.

"Canudo e competência

“Você tem que escrever sobre esta barbaridade!” – disse o amigo do meu amigo.
“Acabar com a exigência de diploma para os jornalistas… a que ponto chegamos! Agora qualquer um pode ir para a redação e se dizer jornalista. Como é que vai ficar isso?”
Gostei da sugestão; mas minha opinião deixou-o desconcertado. É que sempre fui contra – radicalmente contra – a exigência de diploma de curso superior para o exercício da nossa profissão.
“Então você acha que ninguém precisa estudar para ser jornalista?”
Pelo contrário! Ainda que não entenda o que diplomas têm a ver com estudo, acho que jornalistas precisam estudar muito, e sempre. E acho bom que esqueçam este verbo, “estudar”, em geral ligado a algo que se faz por obrigação. Jornalistas de verdade lêem e se informam contínuamente: por hábito, por segunda natureza, por uma curiosidade intelectual incontrolável que os leva a se interessarem por tudo, ou quase tudo. Diploma não leva ninguém a fazer isso, a ser assim.
O problema é que o Brasil cultiva a noção de que o diploma de curso superior é sinônimo de conhecimento. Como o nosso ensino básico é péssimo, e dificilmente se aprende alguma coisa na escola, sobra a ilusão de que a passagem por uma universidade nos tornaria automaticamente cultos e educados — e tão superiores aos demais, que passaríamos a ser até merecedores de prisão especial.
É por isso que algumas pessoas insistem em ver, no fim da exigência do diploma, uma espécie de “rebaixamento” da profissão. Elas acham que, se o diploma de jornalismo deixou de ser obrigatório, nenhum diploma (leia-se conhecimento) será necessário. Não pode haver equívoco maior.
A única coisa que o diploma de jornalismo garantiu, até aqui, foi uma reserva de mercado injusta e pouco democrática. As redações vão ficar mais ricas e diversificadas com o fim dessa burocracia anacrônica, que pressupõe que apenas quem fez comunicação está apto a lidar com a informação.
Acontece que o jornalismo é importante demais para ficar restrito a um grupo homogêneo de pessoas, sem a mínima brecha para variações.
Paradoxalmente, o fim da exigência do diploma deve melhorar muito a qualidade dos cursos de comunicação. Como eles não são mais obrigatórios, precisarão ser suficientemente ágeis e inteligentes para conquistarem os alunos e as empresas de comunicação. Que continuarão, é claro, a recrutar a maior parte dos seus quadros entre os formandos.
Nos últimos dias, tenho visto muita gente lamentando o tempo que perdeu na faculdade para conseguir o diploma; mas qualquer curso que alguém lamenta ter feito não precisava, nem merecia, ter sido feito. E me lembro de Mark Twain, que dizia que nunca deixou sua escolaridade interferir com sua educação.
Outra coisa que ouvi e que encontrei aos montes na internet foi a declaração estapafúrdia de que os cursos de jornalismo seriam imprescindíveis por “ensinar ética”. Como assim, “ensinar ética”?! Ética vem de casa, da vida inteira; não há curso que possa suprir essa lacuna. Meu conselho para quem acredita nisso é esquecer o jornalismo e entrar para a política.
Ser jornalista, enfim, não vai ficar mais fácil. Vai ficar cada vez mais difícil. O que vai ficar mais fácil é se dizer jornalista, mas não vejo em que isso possa diminuir qualquer um de nós. Ser escritor, por exemplo, é para poucos, embora uma quantidade infinita de pessoas bem intencionadas se atribua o ofício. Ter diploma de escritor não mudaria em nada a sua falta de talento. Ou de leitores.”

sábado, 27 de junho de 2009

De antenas ligadas

A conversa alheia me fascina. Volta e meia, me flagro escutando o que pessoas perto de mim estão conversando, distraídas, sem perceber a minha bisbilhotice. A praia é um dos melhores lugares para prestar atenção em conversa de desconhecidos sem ser notada. Os cafés, estas maravilhas que voltaram à moda, também são perfeitos para ficar de antenas ligadas no que os que estão por perto estão dizendo.
Para que? Porque? Não tenho a menor ideia. Será que as outras pessoas também fazem isso, apenas não confessam? Tenho quase certeza que sim.

Não, fiquem tranquilos, não sou do tipo que ouve atrás de porta, que mexe em celulares ou em caixas de e-mails alheios, enfim, que invade a privacidade dos que me são próximos. Minha bisbilhotice é diferente, é inocente. Só está um degrauzinho acima da pura e simples observação. Coisa de repórter, talvez. E, certamente, de cronista, um dia eu chego lá.
O fato é que este meu "vício" vem me permitindo descobrir facetas muito interessantes deste mundo e das pessoas que nele habitam. Ouço cada história incrível, muitas, inclusive, me serviram de pauta para várias matérias. Foi de tanto ouvir falarem mal de sogras que tive a ideia de escrever sobre os palpites que infernizam a vida das mães. Foi de tanto ouvir casos de infidelidade que escrevi duas matérias sobre traição. De tanto ouvir mulheres falando bem e mal dos cabelereiros que escrevi sobre o relacionamento e o vínculo estreito que temos com este profissional.
Outro dia flagrei (sem querer, juro) duas amigas no maior papo falando mal de homem, um tema recorrente em conversas femininas. Diziam que eram todos uns malas, uns frouxos. Uma lamentava não ser lésbica e a outra a incentivava a mudar de time. "Ainda dá tempo", dizia. E completou: "Você não tem nem ideia de quantas já fizeram isso e ninguém está nem sabendo". Dá uma pauta, ora se dá.
No dia seguinte, no mesmo café, aguardava um amigo e duas senhoras se sentaram na mesa ao lado. Ele demorou um pouco e logo ouvi esta pérola: "Você não vai acreditar, ele é um menino, uma criança, a mãe dele tem quase dez anos menos que eu". Como? Ouvi bem? Minhas antenas vibraram, torci pra meu amigo demorar. Em resumo, uma delas contava que estava enlouquecida por um colega de trabalho que tinha idade para ser seu filho. "Nunca tive o menor interesse por homens mais novos, muito pelo contrário, foi ele quem começou a me olhar diferente, mulher sabe quando o cara está a fim e isso mexeu comigo", disse para a amiga, que deu corda: "E porque não, pode me dizer?" Taí outra pauta. Quente. Quentíssima.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Bye, bye, Michael (Snif...)

Hoje estou de luto pelo Michael Jackson. Sempre o amei.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Mais um que se vai

Para mim, Michael Jackson, o rei do pop era, definitivamente, um gênio. Inimitável. Delirei com Thriller, Street Walker, Billy Jean e tantas outras. Até agora, 20h17, a notícia da morte dele não havia sido confirmada pelo hospital, os jornalistas estão baratinados, mas tudo indica que ele morreu mesmo. Logo agora que se preparava para retomar sua carreira. Uma tristeza.

Bolsas, esta paixão


Se tem uma coisa que mexe com mulher é sapato e bolsa. E nem poderia ser diferente. Eles fazem toda a diferença no visual, todas nós sabemos disso! Para as apaixonadas por bolsas, como eu, aqui estão alguns modelos que a Daniela Deslandes inventa, vejam que fofas. Dani começou assim devagar, como quem não quer nada, mas suas bolsas fizeram tanto sucesso que ela acabou montando um atelier de verdade. Sua grife, a Love D, já está marcando presença em lojas chiquérrimas aqui em Friburgo, no Rio, em São Paulo e recebe encomendas até do exterior.

Saudosista demais da conta

Ando saudosista que dói, desculpem, isso passa. Em breve, meu lado vanguarda estará de volta, prometo. Mas nestes momentos doloresdurandianos, deixe-me partilhar com vocês o blog do Pró-Memória aqui de Nova Friburgo. O responsável por este belo trabalho é o Guguti Bohrer, cujo nome de batismo, na verdade, é Nelson Bohrer. Ele é o artífice do trabalho genial de recuperação e digitalização do acervo do Pró-Memória, que vem sendo guardado e ampliado graças ao empenho de uma mulher chamada Tereza Albuquerque Mello, a "Tereza do Pró-Memória". Depois falo mais de lá. Por enquanto, dêem uma olhada no site, que barato. Tem um filme do enterro do doutor Dermeval feito pelo Bini que é simplesmente genial. Centro de Documentação D.João VI

Um presente para vocês. Friburgo no fim do século 19.

As fotos estão no livro de Janaína Botelho, "O cotidiano de Nova Friburgo no final do século 19", que apesar de ser fruto de sua tese de mestrado não tem nada de acadêmico, muito pelo contrário, é uma delícia de se ler, daqueles que tiram o sono da gente. Janaína é uma grande contadora de histórias ou melhor, de História, pois cada informação contida no livro foi devida e rigorosamente checada. O mais bacana é que além de relatar fatos pitorescos da época e de traçar mesmo todo um painel da vida naquele pequeno vilarejo, Janaína desmistifica, desmascara, põe por terra esta lenda de Friburgo como a Suíça brasileira. A primeira foto é do Paissandu ou Paysandu, pela orthographia de então, a segunda é a fonte do Suspiro, local preferido dos namorados. A fonte ganhou uma guaribada recentemente, pena que a água atualmente não é mais potável. E a terceira, claro, é o nosso trem, saudoso trem, passando, orgulhoso, pela Alberto Braune.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Já não se faz festas juninas como antigamente...

Festa junina tem sabor de infância. Lembro com nostalgia até do cheiro das festas de Santo Antônio na pracinha do Suspiro. E, com um aperto maior ainda no coração, dos aniversários de meu primo Teleco, que por ser no dia 12 de junho, sempre era comemorado com uma bela festa junina. Com direito a fogueira, fogos, muitos fogos de artifício e até, isso mesmo, até balões. Aos patrulheiros de plantão, vale esclarecer que eram pequenos e, em absoluto, não tínhamos noção dos riscos que soltar balões representava. Outro prazer que eu, meus primos e vizinhos cultivávamos nesta época do ano era montar nossas barraquinhas feitas de caixote, em frente de casa para vender fogos. Sempre tínhamos prejuísos até porque a tentação era forte e acabávamos nós mesmos com o estoque antes de o vendermos.

Hoje, as festas juninas não têm mais a menor graça, com aquelas barracas iguais, salsichão e churrasquinho de quinta, cachorro-quente, idem, os inexoráveis baloes pula-pula e assemelhados para as crianças. Passei por algumas este ano e o máximo que vi em termos de fogos foram estalinhos. Até a pescaria ficou de mentirinha (a "tia" ajuda a pescar porque tem um monte de gente na fila), uns brindes muito bobos e, pior ainda, iguais uns aos outros. Aquelas outras brincadeirinhas que criança gosta, como a dos porquinhos da índia que têm de voltar para suas casinhas, sumiram. Quadrilha, então, nem pensar, agora é cronometrada, tem a duração de uma música e ponto final. Nem a festa de São Pedro da Serra escapou. Tá igualzinha às outras. Como resgatar uma tradição popular tão bonita, tao rica e que está se perdendo por completo?