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sábado, 4 de julho de 2009

Chico quer ser visto e reconhecido como escritor

"Noite de autógrafos de Chico provoca histeria”. Estava lá na primeira página do portal do UOL e como se tratava de Chico, abri o vídeo. Fiquei impressionada. Chico chega ao local onde vai participar de uma mesa literária ao lado de Milton Hatoum e é recepcionado por um monte de gente que tentava entrar sem ingresso, com direito a tumulto, empurra-empurra e tudo. Coitado do Chico, deve ter ficado constrangidíssimo. Afinal, ele foi à Flip como autor, não estava ali para fazer nenhum show. Não cabiam gritinhos histéricos de fãs naquele local.

Posso estar sendo mais uma vez preconceituosa, mas na minha opinião, aquelas pessoas ali foram à Flip sem ingresso e também sem nunca ter lido um livro de Chico. Conheço até quem nem se interessa em ler os livros dele, já lhes basta o Chico compositor e não escondem isso. Eu acho isso esquisitíssimo. É como gostar de alguém pela metade.

Chico é um grande escritor. Li todos os livros dele, desde Fazenda Modelo, o primeiro, a Budapeste, passando por Chapeuzinho Amarelo, que dei para minhas filhas, quando eram pequenas, um livro maravilhoso para crianças. Gostei mais de uns que de outros, claro, mas o que mais gostei foi Benjamim, sobre um ex-modelo fotográfico. Só não li ainda o recém-lançado Leite Derramado, tenho tido tão pouco tempo para ler...


Sim, os livros de Chico não são como suas canções, fáceis de agradar. São bons, mas não para todo leitor. Vocês não acham que cada tipo de autor tem seu tipo de leitor? Eu, por exemplo, não leio o Saramago, que muitos acham maravilhoso. Não gosto do texto prolixo dele, daqueles parágrafos enormes, daquelas frases gigantes sem ponto. O único que li foi Ensaio sobre a cegueira e só fui até o fim porque naquela época eu tinha esta mania. Continuar a leitura mesmo se não estivesse ligada no livro. Hoje não tenho mais tempo para isso. Se não me prender, parto para outro que a fila de livros que estão me tentando é grande.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O mestre maior está na Flip

O mestre está participando da Flip, em Paraty e amanhã vai falar sobre "Fama e anonimato". Ai, que vontade de estar lá. Gay Talese é meu mestre maior, meu ídolo do ponto de vista profissional. Bebi em suas fontes e a elas volto vez por outra só para me inspirar. O que sei de jornalismo aprendi lendo suas reportagens, seus artigos, seus livros.
Para quem não é do ramo, Gay Talese tornou-se conhecido pelo perfil que fez de Sinatra construído a partir de várias tentativas inúteis de entrevistá-lo. Um dos trechos do famoso “Frank Sinatra está resfriado” eu me lembro de cabeça. Era mais ou menos assim: “Sinatra resfriado é Picasso sem tinta, Ferrari sem combustível – só que pior.”
Foi Talese, enfim, quem adicionou à prática jornalística elementos da literatura (descrição de cenas, diálogos e, sobretudo, o ponto de vista dos personagens), transformando o próprio repórter em protagonista de suas histórias. Uma lição que se revela cada vez mais atual nestes novos tempos. Parece óbvio mas não é. Ainda tem faculdade de comunicação obrigando os alunos a construir lides clássicos e a respeitar a pirâmide invertida ao redigir suas matérias, respondendo pela ordem, às perguntas o que, quem, quando, onde, como e porque.
Por falar em faculdade de comunicação, vibrei ao ouvir a opinião de Gay Talese sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. “Um diploma não torna você um jornalista”, disse. “O que faz alguém um jornalista e, mais do que isso, um profissional necessário, é ter posse de informações que vão influenciar as escolhas dos cidadãos de um país”, concluiu. Falou e disse, mestre.