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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vivendo no fio da navalha





Procrastinação. A expressão é horrorosa, mas exprime exatamente um comportamento que muitos de nós temos. Admiro quem não tem o hábito de fazer tudo na última hora, que termina seus trabalhos antes do prazo e é organizado ao ponto de não deixar nada para depois.
A maioria das pessoas, porém, não é assim. Gente normal, como eu e, quem sabe, você, que me lê, vive correndo para dar conta de seus compromissos justamente porque já se acostumou com isso.
No final, a gente até dá conta. Terminamos o texto dentro do prazo, chegamos na entrevista na hora marcada, atrasamos só dez minutos a manicure, enfim, tudo dá certo. Mas, a que preço?
Até certo ponto, procrastinar pode ser considerado normal, acho eu. Mas, uma coisa é certa. Tais adiamentos não são nada recomendáveis para nossa saúde mental. Resultam, inevitavelmente, num grande estresse, uma sensação de estar sempre atrasado, tendo que correr atrás. E, vamos falar a verdade, de não cumprir com nossas responsabilidades e obrigações (sejam elas quais forem), tão bem quanto gostaríamos ou poderíamos.
O pior é que quanto mais o tempo se estreita, mais tendemos à procrastinação. Trata-se de um mecanismo mental dos mais perversos porque nos leva a um comportamento oposto ao que deveria ser adotado. E que não nos leva a ficar à toa, não, muito pelo contrário. A gente apenas perde o foco e, com isso, acaba perdendo um dos bens mais preciosos no mundo moderno, o tempo e, junto com ele, a noção do tempo.
Acabamos por inventar uma série de tarefas "necessárias", mas que não são urgentes, como organizar papeis ou responder e-mails, por exemplo. Já cheguei ao ponto de ficar arrumando álbuns de fotografias mesmo estando cheia de coisas urgentes para fazer e resolver. Parece que só sei viver assim.
Uma das atividades que mais tem me levado a procrastinar é este blog aqui e, mais recentemente, o twitter... E não só isso, mas a rede de uma maneira geral, com todos os seus links e atrativos. Tenho tentado controlar minha compulsão e por isso, ando um tanto quanto sumida, mas devo confessar que não tenho tido muito sucesso não.
Por enquanto, porém, já vou desligando isso aqui. E correndo, porque está na hora. Quem disse que consigo controlar minha compulsão? Já tinha que ter saído há pelo menos meia hora, mas pensei...acho que dá tempo de responder uns e-mails, de redigir um postzinho. Resultado: quase 13h, marquei compromisso na redação a esta hora, então, estou indo. Correndo, voando, para ser mais exata. Pra variar. Fuuuuuuuuuuuuuui!




sexta-feira, 17 de julho de 2009

Uma cerâmica que é arte pura




Conheci Elizabeth e Gilberto Paim há alguns anos num jantar na casa dos Grey (Roberto e Tereza), mas já admirava profundamente este casal de artistas pela sensibilidade e beleza de seu trabalho. O dois se conheceram na faculdade de comunicação, são casados há 30 anos, passam o tempo todo juntos até porque partilham não apenas a cama e o atelier, mas sua própria arte.
Sim, cada um tem um trabalho individual, uma assinatura, mas muitas de suas peças são criadas a quatro mãos. Todas são lindas, aliás, muito mais que lindas, eu diria, perfeitas. Gilberto e Elizabeth não se contentam com menos. Buscam a perfeição e isso fica nítido em cada um de seus trabalhos. Os estilos, conceitos, formas, texturas, cores e grafismos, tudo é muito estudado e, sobretudo, cuidado. Estão sempre pesquisando novos insumos, óxidos, tempo de queima e cores. O resultado é esplêndido.
Não é à toa que o casal conseguiu se destacar no cenário da arte contemporânea brasileira fazendo cerâmica, segmento que aqui no Brasil muitas vezes sequer é tratado como arte, ficando a meio caminho do artesanato e do industrializado.
Não no caso de Elizabeth e Paim. O que eles fazem é arte pura e quem sabe das coisas reconhece isso. Atualmente, suas cerâmicas são comercializadas com exclusividade pela sofisticada
Interni, no Jardim Botânico. (Fotos: Rômulo Fialdini)