
Não sei que sensação é essa. Batuque pra todo lado, foliões que se abraçam e se beijam, samba, suor e cerveja, confete, serpentina, blocos, trios elétricos, escolas de samba e eu nem aí. Sinto-me meio que anestesiada com relação ao carnaval. A festa e suas manifestações não mexem mais comigo, sabe-se lá porque. Com exceção da Mangueira, que até hoje me leva às lágrimas quando pisa na avenida, meu coração hoje, não sei porque, passa ao largo do carnaval.
O carnaval da Bahia e de Recife são um espetáculo, mas para mim é suficiente assistir a alguns flashes pela TV. Mudou o carnaval ou mudei eu? Ambos, talvez. Pode ser, realmente, uma questão de idade, não sei. De fato não tenho mais fôlego para encarar multidões saltitantes nem por um dia quanto mais durante dias seguidos.
Mas que o carnaval também mudou muito, lá isso mudou. A festa ganhou tamanho e escala, exigindo mais organização e tecnologia. O carnaval, esta grande marca da cultura brasileira hoje virou mais “marca” do que carnaval. O que, de uma certa forma, roubou a pureza e a alegria natural dos velhos tempos.
Mas sem essa de saudosista que isso não faz meu gênero. Na minha opinião, a essência do carnaval permanece intacta, o que se evidencia pela irreverência, liberdade e prazer que marcam a festa ontem e hoje. A possibilidade de abrir um parênteses na vida, sem pensar em nada, só para curtir tudo o que se tem direito, sem censuras nem recalques. Não é à toa que o carnaval, com suas cores, seu ritmo e sua alegria arrebata e contagia as multidões.
Acho um barato ver as piranhas vestidas de forma tão bizarra e gaiata, curto de montão os novos ritmos que mobilizam multidões e, querem saber? Contradições à parte, sou mais Claudia Leitte, Olodum, Ivete Sangalo, Psirico, Chiclete com Banana, Margareth Menezes, Banda Eva, Daniela Mercury, Timbalada, Netinho e tantos outros que nem conheço do que as singelas marchinhas que animavam os carnavais de antigamente.







