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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Psicóloga que "cura" homossexuais desafia CFP

Conheci uma psicóloga que "curava" homossexuais. Trabalhava num posto de saúde de um morro aqui em Friburgo e era procurada por mães que ouviam falar desta sua, digamos, especialidade. Era evangélica, claro. Não sei por onde anda, se continua "curando" homossexuais ou se já levou alguma advertência de seus superiores, o que, aliás, acho muito difícil que tenha ocorrido.
Pois uma colega dela, chamada Rozângela Alves Justino, do Rio de Janeiro, foi, pelo menos, advertida pelo Conselho Federal de Psicologia, que a condenou à censura pública por oferecer terapia para que gays e lésbicas deixem a homossexualidade. Segundo o conselho, a homossexualidade "não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão".
Na prática, porém, a medida não significa grande coisa. Rozângela pode continuar atuando como psicóloga, embora esteja impedida de oferecer esse tipo de tratamento ou declarar em público ser possível curar ou reverter a homossexualidade. O que, convenhamos, é muito difícil de fiscalizar, até porque dona Rozângela é recorrente (já tinha sido condenada por este mesmo crime em 2009) e muito da abusada. Já foi, incusive, ameaçada de perder o registro há anos atrás e persistiu "curando" gays. Considera esta tarefa uma missão, talvez.
Agora, a tal da Rozângela declarou ter ficado "consternada" com a decisão do conselho e, sem meias palavras, declarou que vai ignorá-la. Foi além, dizendo-se "amordaçada" pelo conselho federal. Segundo ela, "pessoas que estão em estado de sofrimento e que apresentam transtornos sexuais e comportamentais podem procurar outros profissionais para alterar a orientação sexual".
Pegou muito mal ela ter declarado que vai continuar oferecendo terapia para cura da homossexualidade, o que, segundo o presidente do CRP, Humberto Verona, poderá lhe render punições mais graves do que a censura pública. O jeito é ficar de olho.
Tenha paciência, dona Rozângela. Sabem o que eu acho? Que a senhora é que está precisando de tratamento. Se é que prá certas coisas existe tratamento.